Texto por Letícia Capp e Layla Seabra

Caros leitores, somos uma instituição recém nascida, porém muito certa de nossas diretrizes. Queremos, portanto, nos pronunciar pelo infeliz ocorrido, mais propriamente dizendo: crime, na Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

No último sábado (16), foi publicado um vídeo, em rede social, de torcedores brasileiros que estavam em ritmo de comemoração em volta de uma mulher, aparentemente russa, que não entendia  nada de português. Tá bom, meninas do Jogadelas, mas o que isso tem de demais?

Antes da explicação queremos deixar claro que esperamos uma atitude e punição da FIFA e CBF aos envolvidos nesse vídeo repugnante. Destacamos também que esse texto é um protesto em nome de todas as mulheres que apreciam o futebol e continuam fazendo-o, indo contra a falácia do não entendimento feminino em cima do esporte, que é um mito. O meio futebolístico é masculinizado e, devido a isso, um dos ambientes que mais disseminam discursos machistas. Mas isso vai acabar. O Jogadelas, composto apenas por mulheres, está firme e de frente contra tal concepção. Portanto, este post é a nota oficial de repúdio ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE aos machistas.

c9fe02e4-7c16-484f-8a1e-cd2acc0f48c7Letícia Capp, co-fundadora do Jogadelas.

No vídeo, os homens incluídos gritavam em volta da mulher asquerosidades como “Buc*ta rosa”, fazendo apologias sexistas ao ser feminino e, enquanto isso, incentivaram-na a repetir o grito esdrúxulo, abusando da sua incapacidade de se defender, uma vez que a mesma não conseguiria traduzir o que estava sendo pronunciado. Além da violência contra a mulher, estão bem claros traços de racismo a partir do momento em que há desvalorização, ainda que indireta, da mulher negra, uma vez que trata a cor do órgão da moça de forma enaltecida, naturalizando o constrangimento físico e perverso à esse grupo. É válido salientar que a mulher negra protagoniza uma luta com o dobro da amplitude da mulher branca: contra o machismo e o racismo.

Evidentemente, o ato provocou revolta, gerando ondas de polêmica e incômodo por todas as partes, inclusive nas redes futebolísticas, principalmente as formadas por mulheres, como a nossa. O machismo, a misoginia e absoluto crime contidos no vídeo nos fazem pensar no que as mulheres que frequentam estádios passam. Poderia ser uma torcedora brasileira, que ali ouviria, como já ouvem cotidianamente, comentários opressivos e assédios como: “Só veio para chamar atenção” “Não entende nada, deve ser maria chuteira”. Nós, como mulheres que frequentam estádios, já escutamos. E queremos o fim disso.

Denunciem qualquer tipo de assédio e abuso à mulher, seja em qualquer ambiente, é super importante! Reprodução/Jogadelas

Nós do Jogadelas repudiamos qualquer tipo de desrespeito contra mulheres. Machismo e futebol não serão sinônimos mais. Homens, NÃO COMPACTUEM com esse tipo de ação. As meninas do Jogadelas, assim como várias outras mulheres, sentem-se constrangidas e atacadas ao ver essa situação.

Caso presenciem tais momentos e evitam opinar sobre, além de não esclarecerem (e se deixarem esclarecer) sobre o que caracteriza o machismo, ou se uma ou mais mulheres se sentirem constrangidas em determinada situação onde está sendo observado o discurso opressivo  (o que já configura um ato machista) e você discordar, estará fazendo parte do grupo de misóginos que acreditam cegamente e reproduzem a insinceridade de que lugar de mulher é e sempre será somente na cozinha, ainda que indiretamente.

Vivemos em um país onde a violência contra a mulher alcança níveis alarmantes. O Brasil é o 5° país do mundo onde mais ocorrem feminicídios, principalmente contra mulheres negras e de baixa renda. Dados disponibilizados pelo Relógios da Violência do Instituto Maria da Penha, afirmam que, a cada 1,5 segundos, uma mulher é assediada e de maneira abusiva, essa bagagem ultrapassou nossa fronteira. O assédio do misógino brasileiro chegou a nível internacional.

Novamente, NÃO COMPACTUEM com essas situações, não achem graça, não reproduzam. Machismo mata. Sexismo corrompe. Misoginia retrocede. Se uma mulher estiver sozinha, RESPEITE-A; se ela estiver acompanhada, RESPEITE-A e nunca ache que deve respeito ao seu companheiro e sim a ela; se sua pele preta se destaca na multidão, RESPEITE-A ainda mais; se ela não entenda seu idioma RESPEITE-A. Qualquer atitude além dessa, é assédio e racismo, e ambos são crime.

Lugar de mulher é no estádio, é na rua, é no bar e é ONDE ELA QUISER!

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