Opinião: Lugar de fala é você quem decide

Texto por Amanda Honel, Layla Seabra, Thalita Ezequiel

Se o Brasil será Hexa ainda não sabemos, mas essa copa com certeza ficará para a história. O motivo? Nós, mulheres.

Há 20 anos as mulheres iranianas vêm reivindicando seus direitos mais básicos, uma vez que, sem novidades, o governo do Irã, assim como a maioria dos governos orientais, se posiciona de forma violenta e misógina em relação às mulheres de sua própria pátria. Um desses direitos é o da ida ao estádio, asseguradas de que compartilhar sua paixão pelo esporte não é irrelevante, tampouco limitado.

Contrariando a fala de Tiago Leifert, de que futebol e política não se misturam, essa Copa vem sendo um desfile de protestos, majoritariamente femininos. A força das iranianas não se resume apenas nas imagens capturadas na Rússia nos últimos dias; abusando de nossa empatia, nós do Jogadelas nos colocamos no lugar dessas mulheres por alguns momentos para produzir esse texto, e refletimos sobre como seria para nós, frequentadoras de estádios, sermos proibidas de realizar um dos nossos maiores prazeres. Muito além disso, utilizando como base o livro “Princesa”, de Jean P. Sasson (que fala fundamentalmente das mulheres árabes, contudo seus exemplos extrapolam fronteiras), refletimos sobre tamanha diferença que seriam nossas vidas. Por que um ato cotidiano para mulheres brasileiras, ainda que com seus problemas, é um protesto de tamanha magnitude para as orientais?

Evidentemente, a razão é política. E é aí que está a chave de tudo, pensaram. Danem-se aqueles que não querem entender, ou os que pensam que isto aqui não é um lugar de fala apropriado, faremos dele o nosso, usaremos a visibilidade em nosso favor.

Dito e feito.

[media-credit name=”Alex Livesey/Getty Images” align=”aligncenter” width=”620″]gettyimages-975367920[/media-credit]

De um lado, vimos iranianas indo ao estádio pela primeira vez e conquistando seu espaço, uma batalha que foi vencida numa cultura saturada pelo machismo. Na outra ponta, assistimos profissionais que já estão acostumadas ao dia a dia do futebol ganhar destaque nas mídias, realizando desde a cobertura de jogos até a narração inédita de partidas na televisão brasileira. Também tiveram manifestações contra os assédios infelizmente presenciados, mas que em outras épocas passariam por debaixo dos panos. Houve conversas e conscientização na bolha masculina que a maioria dos brasileiros vivem, estourando-a para presenciar um lado muito maior: o do respeito mútuo. É, rapaz… O mundo está inegavelmente mudando.

E ele está ficando insuportável para os machistas.

Dessa forma, a Copa do Mundo de 2018 vem servindo para nos mostrar que ainda temos muito o que caminhar e  barreiras para quebrar. Mas juntas sempre seremos mais fortes e não há machismo que vá impedir uma mulher de lutar pelo o que quer.

Esse texto foi escrito por mulheres para todas as outras, porque nosso lugar é onde quisermos.

[media-credit name=”Reprodução/FIFA” align=”alignnone” width=”984″]iran-fan[/media-credit]

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