O sonho do Hexa pode esperar

Texto: Marcella Azevedo e Bianca Miquelutti

E mais uma vez, a Copa acabou mais cedo para nós brasileiros é isso dói de uma forma que não conseguimos colocar em nenhum texto. Após a incrível Copa de 2002, achávamos que em 2006 seríamos hexa, porque tínhamos uma seleção de tirar o chapéu e não deu.

Em 2010, mais uma tentativa em vão. Lutamos e não conseguimos o tão sonhado hexa. Chegou 2014 e era ano de Copa na nossa casa, tínhamos que ganhar, não podíamos fazer feio. Mas fizemos um papel ridículo no dolorido 7×1. Naquele ano, aposto que muitos brasileiros, assim como eu, pensaram e até cogitaram desistir da seleção brasileira. Eu mesma falei que não iria mais sofrer por isso, coitada de mim.

Pouco tempo depois, Adenor começou a mudar a minha visão e  a de outros brasileiros também. Ele conseguiu unir um time à sua nação e nos classificamos antecipadamente para a Copa do Mundo da Rússia em uma boa campanha durante as eliminatórias. Não restava muitas dúvidas. O hexa já parecia ser realidade.

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Contávamos nos dedos os dias para se iniciar o torneio na Rússia. Muitos ainda estavam tímidos e demoraram para começar a pintar e enfeitar as ruas, faltando menos de 10 dias para a estreia do Brasil. Logo, uma movimentação diferente surgiu, a confiança estava aparecendo e um país todo se preparava para apoiar a sua seleção.

Ruas pintadas, casas com bandeiras penduradas, crianças, jovens e idosos com as camisas amarelas por onde fossem. O espírito da Copa havia ressuscitado.

Sentimos o sufoco na fase de grupos, mas o espírito daquele time parecia estar forte e acreditávamos. Estávamos confiantes e iríamos apoiar. Passamos do México nas oitavas de final e sabíamos que vinha pedrada diante da Bélgica.

O tempo não passava. Aquela sexta-feira demorou para chegar e quando chegou, o relógio não batia às 15h00. Por fim, o jogo se iniciou e antes dos 20 minutos, a preocupação bateu em um gol contra de Fernandinho. Ali nossos corações vibravam mais forte, era possível virar o placar. Mas em um contra-ataque, De Bruyne marcou o segundo antes da seleção empatar.

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[/media-credit] O Hexa ficou distante novamente

Até tentamos, fomos atrás e com Renato Augusto conseguimos o gol de honra. Mas não deu. A gente parou ali nas quartas de final assim como as bolas pararam no goleiro adversário, na trave e no nosso grito preso na garganta. Fim de papo. A ótima geração belga derrotou a excelente geração brasileira.

Tite errou? Talvez, mas não cabe a nós julgarmos ou até mesmo pedir a cabeça dele, o trabalho precisa continuar. Assim como não devemos crucificar Fernandinho, Gabriel Jesus ou Neymar. Ninguém merece ser xingado e ameaçado. Todos tentaram.

Voltamos para casa mais cedo mas ficamos com as boas lembranças dessa Copa. A quantidade de memes que nos faz rir. Os personagens históricos que marcaram. As músicas que ficaram sensacionais e mudaram o jeito brasileiro de torcer, aposentando o “Eu sou brasileiro com muito orgulho” e nos recordando que em “58 foi Pelé”. E até podemos zoar bastante nossos rivais que foram eliminados.

Eu falei que tinha desistido do futebol, como sou ingênua. Não dá para desistir daquilo que não ficamos um dia sem pensar e quer saber? Eu já to pensando na próxima geração que poderá vestir a amarelinha em 2022: Rodrygo, Paquetá, Vinicius Júnior, David Neres, Paulinho entre outros… Nos vemos no Qatar.

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