Zanotti: “A partir do momento que os grandes clubes tiverem o futebol feminino, a tendência é ganhar mais visibilidade e a modalidade ser mais valorizada aqui”

Produção: Alexia Faria e Júlia Cunha 
Texto: Bianca Miquelutti
Revisão: Alexia Faria

Gabi Zanotti, de 32 anos, é meio-campista da equipe do Corinthians. A jogadora que estava atuando na China, pelo Jiangsu Suning, e retornou ao Brasil este ano para ser a camisa 10 do Timão. Perante todas as dificuldades encontradas no começo de sua carreira, até se firmar como jogadora profissional, Zanotti fez um paralelo do seu início no futebol aos dias atuais.

Para a jogadora, é fundamental o incentivo do trabalho das categorias de base para o bom desempenho das jogadoras e do futebol feminino. Gabi também comentou que a ausência da base fez muita falta no início da sua carreira, mas que o cenário está se modificando e que atualmente, com times Sub-15, Sub-17, e Centro Olímpico com o time Sub-13, as jogadoras poderão desfrutar de melhores estruturas e ter mais perspectivas no futebol. “A base é muito importante, até futuramente você estar na Seleção Brasileira, é visto com outros olhos”.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Zanotti disse que é preciso repensar o trabalho da Seleção Brasileira, uma vez que a Copa do Mundo feminino acontecerá no próximo ano, e o time brasileiro está ficando para trás em comparação com as equipes adversárias.

A atleta notou que apesar dos consideráveis talentos das jogadoras brasileiras, o futebol feminino não pode se basear apenas nas performances individuais. “O futebol não é só talento, é muita disciplina tática e força física. A gente tem visto isso nos jogos quando pegamos países europeus e norte-americano. É muito diferente dos países sul-americanos”.

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Reprodução: Instagram

Sobre o time do Corinthians, a meio-campista destacou que o bom patamar da equipe na competição que vem justamente da boa atuação do time. Elogiando também o bom trabalho que está sendo feito por todos, do conjunto e do nível de profissionalismo da comissão técnica.

Para a jogadora, o elenco ser bem fechado e unido, mesmo em número reduzido, reflete bons resultados em campo. “Não adianta você ter um grande elenco qualificado e ter atrito dentro do grupo”, completa.

Zanotti apontou que a equipe não pode se acomodar mesmo com uma sequência positiva de jogos, buscando sempre corresponder às expectativas e pôr em prática o que o time tem treinado, mantendo os pés no chão para buscar o máximo de bons resultados.

A gente sabe que têm vários jogos importantes pela frente, e não pode se acomodar. É praticamente outra competição agora, entra na fase de mata-mata, Paulista, jogos importantes, decisivos e pouco tempo de recuperação”.

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Reprodução: Jogadelas

Mesmo sendo chamado de “País do Futebol”, os grandes times brasileiros dão pouco incentivo para a criação de equipes femininas. Santos e Corinthians são os clubes de São Paulo que mais se destacam nessa modalidade. Perante o novo regulamento da Conmebol, os clubes classificados para a Libertadores 2019 obrigatoriamente deverão manter equipes femininas ativas, medida que incentiva a igualdade de gênero no esporte. Porém, os clubes brasileiros ainda ignoram as suas equipes femininas.

Dos nomes mais conhecidos do nosso futebol apenas América-MGCorinthians, Flamengo, Grêmio, Internacional, Santos, Sport e Vitória já possuem a categoria feminina adulta.

Sobre a nova regra, Gabi apresentou pontos importantes. “Dificilmente os grandes clubes iriam ter o futebol feminino. Não é a melhor forma, mas no Brasil talvez as coisas só funcionam assim (com a obrigação). A partir do momento que os grandes clubes tiverem o futebol feminino a tendência é ganhar mais visibilidade, e a modalidade ser mais valorizada aqui”, opina a meio-campista.

A desvalorização do futebol feminino por parte dos torcedores nacionais também chama a atenção da atleta. Muitos críticos não assistem ou acompanham os jogos femininos, e a visibilidade desse esporte poderia mudar o cenário que ainda é muito mal visto. “Os grandes clubes tendo o futebol feminino e ganhando mais visibilidade, consequentemente terão mais patrocinadores e investimento. Tudo isso vai melhorar e dessa forma, as pessoas terão mais conhecimento do nosso trabalho e isso é muito importante”, finaliza.

Apesar de toda dificuldade enfrentada pelas jogadoras de futebol feminino, é preciso acreditar que as mudanças irão ocorrer e que o futebol feminino será tratado com respeito daqui para a frente.

Equipe Jogadelas

Nós do Jogadelas gostaríamos de deixar nosso agradecimento a jogadora Gabi Zanotti, pela oportunidade de falar conosco sobre o difícil caminho do futebol feminino. Agradecemos também a assessoria do Sport Clube Corinthians Paulista pela disponibilidade.

Esperamos que o cenário da modalidade mude em breve aqui no Brasil, e que nossas futuras craques contem com uma boa base nos clubes e Seleção Brasileira.

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