Entrevista: Gabi Neres
Texto: Letícia Capp
Revisão: Alexia Faria

O ex-jogador Marcelinho Carioca concedeu uma entrevista ao Jogadelas, e falou sobre suas conquistas pessoais, pênaltis e o que faltou na sua carreira para se sentir ainda mais satisfeito.

Pela sua excelência em cobranças de falta, ficou conhecido também como pé-de-anjo. Ao todo, o atleta acumulou cerca de 20 conquistas de campeonatos ao longo da sua carreira, acrescentando também três bolas de prata (1994, 1999 e 2003), uma bola de ouro (1999) e melhor jogador do Vasco (2003).

Marcelinho deu início na sua carreira aos 14 anos, descoberto em Madureira e em resposta às suas boas atuações nos campos, foi levado para a Gávea, ainda nessa idade.  Pelo Flamengo, atuou entre os anos de 1988 até 1993 e marcou 47 gols em 241 jogos pelo rubro-negro.

Na entrevista, uma das perguntas foi em relação a sua transição de jogar no Flamengo e 12 anos depois jogar no Vasco, rival direto do clube.

Jogadelas: Qual o sentimento de ter ido para o Vasco? Existiu algum receio por ter sido revelado no Flamengo?

MC: O Flamengo me ascendeu no futebol brasileiro, portanto, gratidão não tem preço. Voltei para o Rio de Janeiro após 12 anos, e mesmo com a minha identificação cravada pelo Sport Clube Corinthians Paulista (SCCP), eu queria dar alegria a uma nova torcida e foi o que eu consegui. Fui Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e Campeão Carioca. Nesse último campeonato, fui consagrado o melhor jogador. O torcedor flamenguista ficou bravo, chateado mas faz parte do futebol”.

O jogador Marcelinho Carioca comemora gol anotado contra o São Paulo, no estádio do Morumbi, no jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, no dia 28/11/1999 (Foto: Sergio Castro/Agência Estado)

O que todos ou grande maioria sabe é que Marcelinho Carioca marcou a história todos os clubes por onde passou e não foi diferente no Corinthians. Chegou ao clube com 21 anos, declarando que estaria lá para ser campeão, e foi. Foram 8 anos de clube e dez títulos na conta. Com base nesses números, perguntamos:

Jogadelas: Foram muitos títulos diante do Corinthians, somando dez no total. O Jogadelas quer saber o que você acha que faltou para completar o ciclo?

MC: “Cada ano foram de conquistas e jogadas memoráveis. Faltou exatamente a Libertadores para completar o meu sucesso, já que em 2000 fomos campeões mundiais”.

Jogadelas: E qual foi seu sentimento na hora da despedida?

MC: De gratidão, respeito e alegria. Poder olhar para trás e ver que consegui me tornar um jogador profissional de futebol, desde o Madureira até a Seleção Brasileira, jogar na Europa, Ásia e Oriente Médio. Sair do Flamengo e ir para o Corinthians, dois dos maiores clubes do Brasil, sou uma pessoa abençoada e privilegiada por Deus de ter tido essa oportunidade. Ter a chance também de estudar, de ser o primeiro jogador de futebol do Brasil a ter um diploma de comunicação. Sou privilegiado por Deus”.

O ex futebolista foi convocado para dois amistosos e um jogo de eliminatória da Copa do Mundo, junto com a Seleção Brasileira nos anos de 1998 e 2001, mas não chegou a ser convocado para o mundial do ano seguinte.

Jogadelas: Porque você acha que não foi convocado para a copa de 2002?

MC: Por interesses pessoais. Eu estaria na copa de 1994, 1998 e 2002 entre os 23, com toda certeza do mundo. Ninguém ganha bola de ouro e bola de prata e durante anos é considerado aleatoriamente um dos melhores jogadores do Brasil, e não é convocado. Eu tenho minha consciência tranquila e sei o que representei. O mais importante é o reconhecimento da nação brasileira, depois em 2001 eu fui entender que os interesses pessoais são bem mais do que os interesses de uma nação e da instituição”.

E antes do fim da entrevista, tivemos que tirar uma dúvida com o atleta, uma pergunta um tanto quanto delicada, mas na qual ele foi muito profissional e não se deixou abalar.

Já fazem 18 anos desde a cobrança de pênalti no jogo Corinthians x Palmeiras, pela Libertadores de 2000. Aquela semifinal, que, ainda mexe sentimentalmente para ambos os torcedores, e nós queríamos saber o que o jogador diz a respeito disso.

Jogadelas: Marcelinho, você realmente acredita nessa história que dizem que pênalti é loteria? E sobre aquele pênalti da semifinal de 2000, fala um pouco para nós?

MC: Existem momentos que precisamos reconhecer a supremacia e o talento do adversário. Não é questão de loteria. A responsabilidade é mais do batedor do que do goleiro. Não quero tirar o mérito do Marcos, mas ele adiantou dois, três passos que se não adiantasse ele não conseguiria pegar, porque a bola foi forte, eu queria que ela fosse rasteira e acabou indo meia altura. Foi a qualidade do Marcos, goleiro pentacampeão do mundo que merece meu carinho e meu respeito”.

Equipe Jogadelas

Nós agradecemos a grande oportunidade de entrevistar um dos ídolos do futebol brasileiro. O respeito e humildade no qual o mesmo nos tratou durante toda a entrevista.

Nosso intuito é aproximar o esporte cada vez mais de seu público e podermos demonstrar, em formas de entrevista, o ponto de vista dos atletas em determinados momentos de sua carreira.

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