Torcida da Lazio vetou a presença de mulheres nas dez primeira fileiras do setor norte

Mulher e futebol, de longe, parece uma mistura de água com óleo, não combina tanto. Longe, no caso, em 1980, uns quebrados para cá e outros para lá, não importa, o fato é que o tempo não é um instrumento de privilégio de alguns que insistem em permanecer parados no retrocesso, no que deve ser (e de fato é) passado. O máximo que esta pessoa, alienada às raízes colossais de sua época, pode fazer é escolher tapar os olhos à vida que passa diante de si e negar a própria estupidez.

Isso é Lazio. O time de futebol mesmo, você não entendeu errado não.

Torcida da Lazio vetou a presença de mulheres nas dez primeira fileiras do setor norte (Foto: Getty Images)

No último sábado, 18, em uma partida contra o Napoli, em casa, o clube presenciou duas derrotas, mas para a surpresa de zero pessoas, apenas reconheceu uma. Na partida, bem no início do Campeonato Italiano, o time da casa abriu a vantagem de 1×0 com um gol do atacante Ciro Immobile. A equipe adversária empatou aos 47 minutos, ainda do primeiro tempo e matou o jogo aos 59 do segundo, demonstrando clara superioridade técnica em campo, bem ilustrada com seus 65% de posse de bola.

E, para a infelicidade dos acompanhadores sensatos da equipe, a torcida organizada enalteceu ainda mais o fiasco presenciado no sábado em um episódio torpe de machismo. “A curva nord é um lugar sagrado para nós, um ambiente com um código não escrito que deve ser respeitado. As primeiras linhas do fundo sempre viveram como se fossem uma trincheira e dentro dele não admitimos mulheres, esposas ou namoradas e pedimos que elas se posicionem a partir da fila dez. Quem escolhe o estádio como uma alternativa para um refúgio romântico, que assista em outro setor do campo”, ​texto estampado em um cartaz produzido pela torcida e que associa a mulher que vai ao estádio como um objeto ligado à presença de uma figura masculina ao seu lado, caso contrário, não serve para frequentar o local.

Dado isso, seguimos questionando até que ponto o misógino enxerga a mulher como uma figura humana ou um instrumento dependente de sua existência, além de insistir com essa ideia dominadora de lugares públicos, como se uma genitália abrisse passagem pela catraca de algum lugar. É uma questão sem racionalidade alguma em sua construção e se propaga única e exclusivamente pelo preconceito, sim.

Outrossim, a diretoria do clube alega não ter envolvimento algum com a atuação infame de sua torcida e, devido a isso, não tomará qualquer medida, uma vez que a torcida não cometeu um crime e não são um órgão de polícia. Ora, uma organização criada em prol de uma instituição não ter laços com a mesma é uma novidade, não é? Principalmente no esporte que se mantém de pé principalmente sob às custas do dinheiro do torcedor, inclusive das mulheres. Sem público não tem show, e o show do Lazio virou um circo.

Para finalizar esta nota, salientamos que no Brasil esse tipo de atitude deve ser punida sob o artigo 5o da Constituição, que diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de  qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (EC no 45/2004)

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.”, ressaltando, portanto, que a culpa de quaisquer problemáticas envolvendo mulher e futebol cabe única e exclusivamente ao machista de responder.

O Jogadelas repudia qualquer tipo de preconceito dentro do futebol.

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