Por Jessica Louzada

A Copa do Mundo de 2014 nos deixou uma “herança”. O que veio com ela? Estádios novos, outros reformados, o tal padrão FIFA. Esse famoso padrão não se contentou com as estruturas, se instalou também sobre a torcida, e talvez seu maior reflexo seja a supervalorização dos ingressos. 

Nos últimos anos estamos acompanhando cada vez mais as torcidas reclamando da elitização do futebol, da dificuldade de acesso, que, de grande parte é por conta de valores, e a necessidade de tornar-se sócio torcedor caso queira garantir seu lugar na arquibancada.

É natural que conforme o desempenho do elenco, a importância do campeonato ou força decisiva de um confronto haja a alteração dos valores de ingressos. Os clubes obtém grande parte de sua receita através das bilheterias, hoje com sua maioria vinculada ao sistema de torcedores associados e suas prioridades perante a torcida geral. Então, usam de momentos de embalo como oportunidades para aumentar tal receita.

Porém, os clubes estão mal acostumados. Virou rotina os preços dos ingressos superiores a R$ 80,00 ou R$ 100,00. Agora cabe o questionamento: é justo?

O maior questionamento quando o assunto é a supervalorização dos ingressos é o seu efeito. Com preços altos, grande frequência de jogos (tendo em vista que há três campeonatos ocorrendo paralelamente), o torcedor consegue manter-se presente ao lado do seu time?

Está aí a maior decepção do torcedor acostumado a apoiar o esporte na arquibancada. Diante das situações econômicas em que a população passa atualmente, há a imposição de prioridades, cortes extras e isso recai sobre o futebol.

Vemos torcedores precisando escolher quais os jogos “mais importantes” para conseguir estar presente, pois entre pagar R$ 100,00 para ver Palmeiras x Atlético PR ou R$ 120,00 para o confronto contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil, claramente teremos o maior público neste último.

Adentrando ao assunto público, temos que valorizar os clubes que ainda mantém os valores razoáveis para seus confrontos, de modo que mantém a arquibancada cheia, como é o caso do SPFC, que vem jogando em boa fase. Ou até mesmo o Atlético MG, ao mandar seus jogos tanto no Independência quanto no Mineirão.

O que se espera das diretorias dos clubes brasileiros é uma maior compreensão, resgatando e valorizando a sua torcida de forma que a mesma não se sinta excluída e impedida de estar ao lado do seu time de coração em todos os jogos, campeonatos e fases.

A entidade vive do amor do torcedor. É a torcida quem carrega as cores, os gritos e a força de um clube. São eles quem pede apoio.

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