O fortaleza ilustrou a importância de administrar um time dentro e fora dos gramados (Foto: JL Rosa)

2018: O ano de Rogério Ceni; Como o ídolo são-paulino superou desafios e conquistou a série B com o Fortaleza

Rogério Ceni chegou ao Fortaleza no dia 14 de novembro de 2017, após passagem corajosa e frustrada pelo São Paulo Futebol Clube. Como promessa de trabalho duro e vitórias, o ex-goleiro garantiu ao torcedor que o esforço traria bons frutos:

Quero que seja algo bacana, memorável, que fique para sempre na cabeça do torcedor (do Fortaleza). É um grande desafio, sabemos das dificuldades financeiras e limitações, mas vejo a vontade do presidente, acho bacana. Fortaleza é o meu primeiro time (depois do São Paulo). É uma nova história que se escreve. O torcedor do São Paulo vai simpatizar muito com Tricolor (cearense). Quero escrever história nova”.

Seu início como técnico pelo São Paulo foi marcado pela má gestão do clube e a indisponibilidade de peças dentro do elenco, ainda sem experiência como treinador, Ceni não pôde mostrar o serviço que estava comprometido e entusiasmado para fazer. Diversos fatores afetaram o trabalho e mesmo nas derrotas Rogério sempre apontava para números e resultados que não faziam sentido ou agradavam a imprensa pois não eram respostas objetivas que a torcida são paulina esperava. O ídolo do clube saiu do São Paulo e recomeçou sua carreira promissora como técnico no Fortaleza.

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O torcedor são paulino deu apoio ao ex-goleiro após passagem pelo comando do time (Foto: Twitter)

O Fortaleza que vinha da Série C por um período de 8 anos, não tendo muito destaque no cenário do futebol brasileiro, trouxe o Rogério Ceni para a função de treinador do time, mas não só isso, deu carta branca para que o técnico pudesse administrar a equipe também fora de campo. O que chamamos de Manager, é muito utilizado na Europa, e talvez seja um ideal que tenha inspirado Rogério Ceni em suas viagens e cursos pelo continente.

Essa autonomia dado para técnico revolucionou o ano de 2018 no Fortaleza, Ceni pôde interferir em situações extra-campo que influenciam muito no desempenho dos jogadores, como por exemplo a logística de transporte e viagem do time durante os jogos. Sabemos que o Brasil é enorme e que isso potencialmente atinge os jogadores.

Durante esse ano, o Fortaleza se reestruturou buscando se tornar um clube auto-sustentável, utilizou um campo auxiliar, reformaram as salas de imprensa, reformaram os refeitórios, fizeram uma nova academia, trabalharam para concluir o hotel e focaram muito no trabalho de marketing do time utilizando a imagem do Rogério Ceni, aumentando assim o número de sócio-torcedores.

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A média de público do Fortaleza na Série B foi a maior dos últimos seis anos, cerca de 27 mil de público pagante por jogo (Foto: JL Rosa/Diário do Nordeste)

Em entrevista para o Lance!, o executivo Sérgio Papelin afirmou: 

“Agora, os jogadores têm à sua disposição academia, hotel e campo auxiliar. Na alimentação, embora a gente tenha dois nutricionistas, o Rogério está sempre sugerindo. Mas tudo que ele faz ajuda muito o clube a crescer”.

Um ponto a ser destacado também foi o rompimento com fornecedores de material esportivo e a implementação de um mercado mais regional, com redes de lojas locais e centro de distribuição. A reestruturação do Fortaleza não foi somente física mas financeira, com equilíbrio de contas e transparência.

As experiências como jogador foram extremamente válidas para perceber as debilidades que os próprios jogadores do Fortaleza enfrentavam ou iriam enfrentar pela frente na Série B. O elenco fixo e disponível é necessário em todos os clubes e o Fortaleza mesmo sentindo a perda de Osvaldo no começo do ano para o futebol tailandês e de Edinho para o Atlético Mineiro, conseguiu se reestruturar taticamente. Alguns jogadores contam que o Rogério Ceni os telefonou pessoalmente durante as negociações dando maior ênfase na importância de cada jogador no elenco no percorrer do campeonato.

A confiança dada à Gustagol foi um dos motores para o bom desempenho do Fortaleza, o jogador que havia passado por fases ruins e ausência de gols, fez sob o comando de Rogério Ceni gols muito importantes durante a temporada. Um benefício tanto para a sua carreira, o valorizando como jogador, quanto para o time que conquistou o título da Série B e consequentemente subiu para a Série A. O atacante marcou 30 gols na temporada.

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Gustagol foi o artilheiro do Brasil em 2018 (Foto: JL Rosa/Diário do Nordeste)

Não seguindo a cultura brasileira de modificação rápida de técnicos, o Fortaleza decidiu dar continuidade ao trabalho do Rogério para que o Fortaleza siga com os bons resultados. Os novos desafios são grandes, como fazer com que a manutenção do Fortaleza, que não joga a Série A há 7 anos desde o seu rebaixamento em 2006, aconteça enfrentando times de maior expressão.

Comandar o Fortaleza na Série A em 2019 irá amadurecer muito Rogério Ceni como treinador, o ex-goleiro que é reconhecido por sua disciplina e dedicação está fazendo seu nome no futebol novamente, comprovando que pode ser um bom técnico e apontando que há novas formas de administrar o futebol no Brasil. O projeto Série A atrai Rogério mesmo sabendo dos riscos e de que há uma grande probabilidade de não repetir os feitos do ano de 2018.

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A caracterização do elenco foi uma resposta ao rival Ceará por terem sido chamados de “La Casa Sem Troféu” após perder o estadual no começo do ano (Foto: Gustavo Simão)

A permanência de Ceni exige que o técnico continue fazendo seus pedidos sobre o quanto deve ser gasto e quantos jogadores serão necessários para o elenco de um ano completo. O técnico não pensa apenas no campeonato estadual, mas também em uma maneira de não deixar o elenco se desintegrar durante o campeonato brasileiro.

“O futebol é o mesmo em todo o lugar, você tem que trabalhar com paixão. Só essa paixão é capaz de fazer com que o Fortaleza cresça muito.” Disse Rogério Ceni em sua chegada ao Fortaleza.

O aproveitamento do Leão foi de 62,3%, com 21 vitórias em 38 jogos. Além do Fortaleza, outro time do nordeste estará presente na Série A, o alagoano CSA. Avaí e Goiás também subiram, respectivamente.

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