Seleção Feminina na comemoração do sétimo título da Copa América, em cima da Colômbia, neste ano. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Copa do Mundo Feminino 2019 será marcada pela primeira transmissão na Globo; Avanço é pequeno para a inclusão da mulher no futebol

Os acertos na transmissão dos jogos da Seleção na TV Globo; aumento da premiação; trio de arbitragem brasileira do Mundial; e o erro da final do Mundial ser no mesmo dia da final da Copa América no Brasil

A próxima Copa do Mundo Feminina de 2019, sediada na França, terá um marco para o futebol feminino, principalmente no Brasil. Pela primeira vez a TV Globo transmitirá os jogos da Seleção Feminina.

Em 2015, a SporTV junto ao globoesporte.com transmitiram, mas na TV aberta inicia o marco de um novo ciclo na televisão e futebol feminino do Brasil. Apesar de divulgar apenas os jogos do Brasil, todos os jogos da competição serão transmitidos pela SporTV, assim como na edição passada.

Entre os dias 7 de junho e 7 de julho, na França, participarão 24 seleções, sendo 3 equipes da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile). Com 11 sedes espalhadas pelo país europeu, o estádio Parc des Princes, em Paris, dará o pontapé inicial. A final, por sua vez, deve acontecer um mês depois no estádio Parc Olympique Lyonnais, em Lyon, com capacidade para 58 mil pessoas.

A equipe Brasileira estreia no dia 9 de junho de 2019, diante a estreante Jamaica, em Grenoble. Na segunda rodada, o duelo será contra a Austrália, no dia 13, em Montepellier. Cinco dias depois, as brasileiras fecham a participação na fase de grupos contra a Itália, no dia 18, em Valenciennes.

Seleção durante o treino pela Copa América neste ano
(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

O sorteio dos grupos ocorreu no último sábado (8), realizado em Paris. O Brasil está no grupo C ao lado de Austrália, Itália e Jamaica. O histórico com a algoz Austrália não é das boas, a equipe da Oceania eliminou as brasileiras no Mundial de 2015 nas oitavas de final por 1 a 0, logo depois deu adeus após a derrota pelo Japão no placar de 1 a 0.

As brasileiras garantiram a vaga na Copa América, disputada em abril, quando sagrou-se heptacampeã com 100% de aproveitamento no Chile.

Entre os convidados, o evento na França contou com a presença do técnico Didier Deschamps – comandante da França na conquista Copa do Mundo deste ano, na Rússia – e do ex-jogador Kaká. 

As 24 equipes foram divididas em quatro potes, com seis times em cada um – a divisão foi feita com base no ranking mundial da Fifa. O jogo de estreia será na anfitriã França, no dia 7 de julho, contra a Coreia do Sul. Atual campeã, a seleção dos Estados Unidos fará seu primeiro jogo no dia 11 de julho, contra a Tailândia, na cidade de Reims.

A competição organizada pela FIFA com a primeira edição em 1991, o Mundial na França conta com as estreias das seleções da África do Sul, Chile, Escócia e Jamaica.

Confira todos os grupos da Copa do Mundo:

Grupo A: França, Coreia do Sul, Noruega e Nigéria
Grupo B: Alemanha, China, Espanha e África do Sul
Grupo C: Austrália, Itália, Brasil e Jamaica
Grupo D: Inglaterra, Escócia, Argentina e Japão
Grupo E: Canadá, Camarões, Nova Zelândia e Holanda
Grupo F: Estados Unidos, Tailândia, Chile e Suécia

Retrospecto da Seleção nas edições

Desde o início do formato em 1991, na China, as brasileiras participaram de todas edições do Mundial. Apesar de nunca ter levado a Taça do Mundo, a Seleção ficou com o vice em 2007, na China, contra a Alemanha por 2 a 0. Naquela edição, a rainha Marta levou a Bola de Ouro e Chuteira de Ouro com 7 gols.

A terceira colocação aconteceu em 1999, nos Estados Unidos da América, diante a Noruega. O placar ficou em 0 a 0 no tempo normal, e vencendo nos pênaltis por 5 a 4.

A maior artilharia da Copa do Mundo continua com a Marta, marcando 15 gols. E a única eleita 6 vezes a melhor do Mundo.

Trio de arbitragem brasileiro no Mundial

Entre os 27 árbitras e 48 bandeirinhas, a FIFA divulgou a lista de arbitragem que participarão da Copa do Mundo 2019. O Brasil terá trio de arbitragem representado Edina Alves Batista, e auxiliado por Neuza Back e Tatiane Sacilotti.

Trio de arbitragem brasileira para a Copa do Mundo 2019
(Foto: Divulgação/CBF)

A árbitra paranaense, Edna Batista, já participou do Campeonato Brasileiro da Série B, na partida entre Figueirense e Paysandu, em 2017.

O currículo da brasileira também se estende na Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-17, na Jordânia em 2016, e Uurguai neste ano. O trio de arbitragem participou da Copa do Mundo Sub-20 Feminino, realizado na Pampua Nova Guiné, em 2016, e Bretanha, na França, ocorrido neste ano.

Premiação aumenta na Copa da França, porém, esquece da participação feminina no futebol

Na edição de 2015, no Canadá, as participantes repartiram US$ 15 milhões (cerca de R$ 60 milhões no cambio atual). Para ter uma ideia, na Copa do Mundo da Rússia, em junho deste ano, a federação pagou US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,54 bilhão) para as 32 seleções masculinas e, no próximo Mundial esse valor aumentará.

Em outubro deste ano, a FIFA aprovou que o prêmio para o Mundial na França fosse dobrada para US$30 milhões. Porém, a mesma entidade aprovou que a final da Copa do Mundo Feminino fosse no mesmo dia da Final da Copa América, realizado no Brasil, organizado pela CONMEBOL.

Seleção Americana venceu o último Mundial em 2015, no Canadá
(Foto: Andy Clark/AFP)

Na reportagem da Julie Foudy para espnW.com, as jogadora americanas, Becky Sauerbrunn e Megan Rapinoe, declararam que esse aumento não era bom nem suficiente. Nos últimos quatro anos, a disparidade cresceu de aproximadamente US$343 milhões para US$370 milhões; a FIFA também se comprometeu a dividir US$440 milhões entre as equipes masculinas que irão jogar a Copa do Mundo de 2022, no Catar, o que significa um aumento de US$40 milhões em relação à Copa de 2018.

A FIFA “grifa” o aumento da premiação será duplicado em US$60 milhões até o Mundial de 2026. Anteriormente, o objetivo era de alcançar US$45 milhões em 2019, nesta edição da França.

Apesar da FIFA dizer que tem como metas duplicar a participação feminina no cenário futebolístico, a entidade demonstra a insatisfação do lucro nas finanças do campeonato. Conforme a espnW, a Copa do Mundo de Futebol Feminino lucrou milhões de dólares em 1999, 2003 e 2015 (US$2,3 milhões, US$11,5 milhões e de US$3 a US$4 milhões respectivamente).

O discurso da FIFA não condiz à ação da organização em promover o futebol feminino no Mundo, ainda mais colocando um torneiro masculino de grande porte no mesmo dia da final.

O lucro infelizmente reina na entidade e no mundo do futebol, e enquanto a organização não desenvolver um plano de metas inclusivo para as mulheres. Ainda na matéria da espnW, a FIFA espera fechar 2018 com US$1,7 bilhão em dinheiro e patrimônios. No grande esquema desse US$1,7 bilhão, o futebol feminino representa um pequeno investimento que tem um grande potencial de retorno.

%d blogueiros gostam disto: