Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo

O vazio no Ninho do Urubu

O vazio no Ninho do Urubu

Texto: Bruna Galvanese, Katherine e Layla Seabra

Edição: Júlia Cunha e Bianca Miquelutti

Dez. O número 10, no futebol, é o número do Rei, é o número do craque do time, o que enche a torcida de alegrias e as redes de gols. 10 é o número perfeito da anatomia dos nossos pés e mãos. Quando tiramos 10 em algum teste, nossos olhos brilham, pois é a nota máxima de todo o esforço que construímos para continuar nessa trajetória cheia de desvios chamada vida. Entretanto, hoje foi diferente, hoje o número 10 fez nossos olhos brilharem novamente, dessa vez, não com a satisfação cotidiana. Hoje acordamos com menos 10 vidas inocentes no mundo.

Foram menos uma dezena de sonhos, conquistas, alegrias e molecagens. Menos 10 meninos que tinham um propósito em comum: ser jogador de futebol; ser jogador do Flamengo; ser reconhecido, ter uma condição melhor na qualidade do que deveria ser viver e, como retribuição, dar uma vida melhor aos seus familiares.

Parte considerável desses nossos garotos, nossos como nação brasileira, passaram por dificuldades, sentiram fome, a saudade apertou incansavelmente no peito, mas naquele momento estavam dormindo, tranquilamente, onde muitos outros gostariam de estar: no Ninho do Urubu, no CT do Flamengo. Flamengo de Zico; de Junior. Flamengo que o mundo conhece e hoje se entristece com esses sonhos que viraram cinzas.

Faltou cuidado.

Aprendemos, neste nebuloso início de ano, que cuidado é indispensável, desde com teus familiares, já que não sabemos quando será a última vez que os veremos, a lama espessa da indefinição do futuro assola todos nós, até o cuidado com os nossos, com as pessoas que estão bem debaixo de nossos olhos, sob o teto de alojamentos inadequados. De pessoas inadequadas. Falta cuidado com nosso Brasil, onde tanto se mata sem querer. Falta cuidado com nós mesmos, que sentimos a dor e o receio de compartilhá-la, afinal, tem gente ruim lá fora, não sabemos mais onde medir nossas palavras.

Faltou cuidado e um pouco mais.

Quando se escuta “Flamengo até morrer”, arrepia, e o que era uma grande torcida, agora é uma imensa rede de solidariedade. Hoje choramos. Hoje não queríamos que esses 10 anjos cantassem repetidamente esse hino. Hoje não queremos ver o tal número nem no relógio, ele nos assombra agora, assombrará os familiares por mais tempo. Não nos esqueçamos destes, sua dor é maior do que a da torcida inteira junta.

Arthur, Athila, Bernardo, Christian, Gedson, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo, Samuel e Victor.

Estes são os nomes de quem o urubu levou para o céu, para olhar por suas famílias, e quem sabe levar mais alegrias para o andar de cima, jogar uma pelota com os grandes.

Hoje não tem clubismo, não tem rivalidade, não tem favoritismo. Somos todos um só. Unidos enviando toda a energia positiva e luz que temos para oferecer às famílias das vítimas dessa tragédia do futebol.

E nós do Jogadelas sentimos muito por esse 8 de fevereiro de 2019. Que o urubu voe para bem longe com essa tristeza, e volte para proteger o Ninho, como sempre fez.

#ForçaFlamengo

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