Foto: Reprodução/Futebol de Campo

Crônica: A embaixadinha do preconceito

Por Bruna Galvanese

“Você não entende nada de bola, você é mulher, “mulher que gosta de futebol é sapatão”, “cala a boca e vai lavar louça, que lugar de mulher é em casa”.

Não. Lugar de mulher é aonde a gente quiser.

E queremos frequentar os estádios sem assédio, sem xingamento, sem falta de respeito. Cresci com a bola de futebol embaixo do braço. Acho que não me chamei Pelé porque minha mãe teve bom senso.

Sou sócia, frequentadora, voto, grito, choro, dou risadas. Cresci andando em volta do estádio com meu pai e meu avô. Era quando meus olhos brilhavam. Quando eu batia no peito, ainda criança, e dizia, “eu sou Santos”. O branco e preto é o que me move a amar cada vez mais esse eterno time de meninos, meninos que não crescem, que com 70 anos continuam meninos.

A mulher sofre preconceito de todas as formas. Eu mesma já fui ameaçada a tomar uma pedrada apenas por pedir pra torcida apoiar, e não xingar.

O meu momento é ali, sentada, onde tenho as melhores lembranças da minha vida. Onde, quando meu avô faleceu, teve 1 minuto de silêncio por ser um dos primeiros sócios do Santos F.C.

Ah, esse texto é pra você tambem, de todas as torcidas, de todos os amores, que só querem frequentar a arquibancada sem medo, sem receio, feliz por estar lá, vendo seu time encher a rede de gols.

Fotos: Reprodução/Futebol de Campo

O que eu tenho no meio das pernas não quer dizer nada.

O que você, homem, tem no meio das suas, não te fazem um ser supremo que pode determinar o que devemos fazer ou não.

Muitas vezes entendemos mais de “bola” que vocês.

Muitas vezes, deixamos de frequentar estádios com medo de voltar pra casa e ser assediada, de qualquer tipo que seja. O machismo tá impregnado no futebol. Cabe a nós, mudar isso.

Gritar mais alto.

Continuar indo aos jogos.

Beijar o escudo e dizer que isso é muito mais importante que qualquer zé mané que se acha um ser supremo, pegando em seu pênis de 10 cm e cuspindo no chão, como se isso fosse nos atingir.

As mulheres vão estar nos estádios.

Vão ser donas ser empresa.

Vão ser chefes.

Vamos ser mecânicas.

Pedreiras.

E ainda sobra tempo para trazer ao mundo novas vidas.

Vamos ser o que vocês mais temem.

Vamos estar presentes nos lugares que vocês não gostam.

Mas vamos estar. Vamos mostrar que o sexo frágil deixou de ser frágil faz tempo.

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