Cássio: gigante pela própria defesa

Por Bárbara Clara

O ano do fim do mundo. Na internet não se falava em outra coisa. As teorias eram das mais conspiratórias e o final dos tempos tinha até data para acontecer.

Não aconteceu, ainda bem.

Para o corintiano seria uma pena não ter os anos seguintes para relembrar do ano em que até o título que era o único clube paulista a não ter, aconteceu: A Libertadores da América. Porém, 2012 não trouxe só a taça inédita para o Corinthians, 2012 trouxe Cássio.

Cássio Ramos. Nascido em Veranópolis no Rio Grande do Sul. O homem de 1,96 de altura chegou no gol do jeito mais certo que um goleiro pode chegar ao coração do torcedor: salvando tudo como quem se esforça para salvar a própria vida.

Seu primeiro jogo com a camisa do Corinthians foi pelo Campeonato Paulista contra o XV de Piracicaba. Mas é lembrado mesmo pela sua estréia na Copa Libertadores, dia 02 de maio, quando atuou contra o time equatoriano Emelec, lá em Guayaquil.

O jogo pelas oitavas de final do campeonato aconteceu quase dois meses antes da final que consagraria o time paulista como o libertador da América daquele ano, e terminou em 0x0.

E quem diria?

O resultado não tão satisfatório foi comemorado como uma vitória, levando em consideração que o Corinthians jogava com um jogador a menos.
Só nesse jogo, Cássio defendeu pelo menos 5 bolas perigosas. Um pequeno sufoco.

Passou a ganhar seu espaço após substituir o até então goleiro Júlio César, que vinha de uma sequência feia e cheia de falhas.

Cássio mostrou para o que veio.
Veio para ser decisivo.
Veio para ser campeão.
Veio para ser lembrado.

Em sete anos atuando pelo Timão, Cássio carrega consigo momentos históricos. Você provavelmente se lembra desse. Sabe aquele gol que não tem como não acontecer?

Dia 23 de maio de 2012.

Ainda pela Libertadores desta vez contra o Vasco, por um vacilo do capitão da equipe do Corinthians, Alessandro, o goleiro Cássio viu o atacante Diego Souza correr em sua direção em uma tomada de bola histórica do meio de campo, naqueles lances que podem ser convertidos facilmente em câmera lenta. Visto e revisto. O gol tinha tudo para acontecer. Gol este que mudaria toda a história do Corinthians na libertadores daquele ano.
Mas não aconteceu.

Cássio estava ali. Que sorte teve o torcedor corintiano por Cássio estar exatamente ali.

Houve quem questionasse: “Ele não tocou na bola. O Diego Souza foi quem perdeu o gol.”

Mas a verdade é que as pontas dos dedos de Cássio classificaram o Corinthians para a semifinal da Libertadores. A chegada de Cássio marcou o início de uma nova era pro time do Parque São Jorge, uma era pós libertação. Libertação essa cheia de certezas, a certeza de que Cássio, tão grande, cresceria ainda mais. Atualmente, o arqueiro carrega oito títulos pelo Corinthians.

Tem paulista, tem campeonato brasileiro, tem Recopa sul-americana, tem Libertadores tem Mundial. Um verdadeiro acumulador de taças, quase alcançando Marcelinho Carioca (com dez títulos).

No dia 02 de março, contra o clube sorocabano São Bento, Cássio atingiu o número de 396 jogos pelo Corinthians, tornando-se o 2º goleiro com mais jogos, ultrapassando Gylmar dos Santos Neves, tudo isso após uma classificação que ocorreu na mesma semana, dia 27/02, e que pode ser considerada ao goleiro e a torcida como um presente.

Mérito, ou como diria ex técnico da equipe, Tite: merecimento.

No último jogo contra o Racing, na Argentina pela Copa Sul-Americana, Cássio mostrou que ainda traz ao torcedor as mesmas sensações que trouxe em 2012.

A tranquilidade.

O prazer de saber que no gol há mais do que um jogador, há um ídolo da torcida. Ídolo que é passível de falhas mas que carrega nos braços e na memória um enorme histórico de defesas inesquecíveis. Tem crédito.

E tem confiança, marca registrada do gigante.

Depois que Cássio chegou e o futebol do Corinthians se tornou mais confiante.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: