Jogadoras do Atlético-MG no aquecimento durante o amistoso no Mineirão (Foto: Layla Seabra/Jogadelas)

Mineirão recebe o primeiro jogo feminino na história do estádio

Por Carol Marçal

Apesar da vitória de 3 a 0 para o América-MG contra o Altético-MG, cerca de 4 mil pessoas compareceram ao clássico mineiro no primeiro jogo feminino do estádio

No último sábado (23), América e Atlético-MG entraram em campo para um amistoso. O placar foi 3 a 0 para o Coelho, mas isso não foi o mais importante e nem deixou as meninas alvinegras cabisbaixas. Pelo contrário. Com o jogo, os respectivos times tiveram a oportunidade de mostrar suas qualidades, as meninas que mais se destacam e foi um excelente meio para os técnicos observarem os erros de suas equipes.

O resultado foi reflexo de um preparo e uma organização que vem de alguns anos, já que o América era o único time da capital mineira que tinha uma equipe feminina, inclusive disputando a série A. O Atlético não ficou muito para trás durante o jogo. É um time guerreiro e que em muitos momentos da partida jogou de igual para igual. O que falta para elas é um pouco mais de preparo e treinamento. A dedicação e a vontade de jogar foram muito além de um evento amistoso para homenagear as mulheres.

O destaque da partida pelo lado americano foi a lateral direita Tia. Além de marcar o terceiro gol, a atleta cumpriu de forma brilhante sua função: marcação forte e precisa e, quando exigida, fez muito bem o ataque. Pelo lado alvinegro. O destaque ficou com a goleira Renata, que entrou no decorrer do jogo, substituindo Raissa. Mesmo sofrendo dois gols, Renata fez ao menos três grandes defesas. O placar poderia ter sido maior se não fosse por ela.

Entretanto, o maior destaque ficou com a torcida, show à parte eles deram. Aproximadamente 4 mil pessoas prestigiarem as nossas meninas. As 4 mil torcedores que cantaram, apoiaram e festejaram do início ao fim. Todo o apoio é essencial para qualquer equipe feminina conseguir e querer ir em frente. Cantos que inspiram e fazem as jogadoras quererem mais e ir longe. Festa que toda torcida quer fazer ao final de um jogo ou campeonato. Acredito que se o clima que teve no sábado tiver em diversos (e porque não todos) jogos femininos, daqui uns meses a inferioridade se tornará igualdade.

Guardem bem esse ano. 2019. Período que, em meio a tantas tragédias e desastres, ocorreu um evento maravilhoso: a transparência do futebol feminino. Tudo começa com a grandiosa camisa 10 da seleção brasileira, Marta, conseguindo a sexta bola de ouro como melhor jogadora do mundo. A maior ganhadora da história., inclusive quando comparada com os rapazes.

Cerca de 4 mil torcedores compareceram no Mineirão (Layla Seabra/Jogadelas)

Logo depois, vêm os clubes brasileiros da série A e B montando suas equipes femininas; recordes de públicos pelo mundo para jogo femininos e transmissão, mesmo que ainda seja pelo Twitter, do campeonato paulista feminino. E olha que a Copa do Mundo ainda nem começou. E em Minas, a manifestação de apoio às mulheres não foi diferente.

E é isso que buscamos. Queremos ser vistas e valorizadas pelo que fazemos. Não há motivos para a desigualdade ser tão gritante. O futebol com mulheres também é bonito de se ver. Mas não é por causa do rostinho ou do corpo, e sim pelas jogadas, habilidades, desenvoltura. O que eles fazem nós também fazemos. Então porquê essa desvalorização dos times femininos? E tem gente que ainda consegue dizer que não há preconceito no mundo do futebol.

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