Foto: Record.pt

Arbitra Rosana Paz é atingida por água quente em partida na Argentina

A bandeirinha, que participava da partida entre San Martin e Marquesado, foi atingida por um balde de água fervente nas costas

Por Katherine Almendra, Raffaella Carolina  Bianca Miquelutti

No último sábado (23), a assistente Rosana Paz foi vítima de torcedores argentinos enquanto exercia sua profissão. Faltando 2 minutos para o encerramento da partida, Rosana sentiu um líquido quente descendo pelas suas costas. O árbitro Sebástian Fernández optou por dar continuidade à partida para que o jogo terminasse regularmente. Sua atitude foi questionada pelos meios de comunicação argentinos.

O time do Marquesado venceu a partida por 1 a 0, mas seus torcedores alegaram que o time foi prejudicado pela arbitragem. Porém, os erros foram cometidos por outro assistente, mas foi Rosana quem acabou sendo ferida nas costas.

Depois do ocorrido, a bandeirinha e também secretária administrativa foi ao hospital. Rosana teve queimaduras graves, mas passa bem.

Questionada se pretendia desistir da profissão, ela respondeu:

“Seja mulher ou homem. Esse tipo de situação não deve acontecer em nenhuma circunstância. Por isso, não vou baixar minha cabeça. Vou continuar. É muito difícil ver mulheres no futebol, e eu não vou dar o braço a torcer. Espero voltar logo e recuperada.”

Mulher de 46 anos e mãe de 3 filhos, Rosana agora espera por alguma resposta ao ocorrido na partida por parte do Tribunal de Disciplina da Liga Sanjuanina de Futebol. Alberto Platero, presidente da Liga Sanjuanina, disse que o Marquesado pode ser punido pela atitude de seus torcedores.

“Recebo muitos insultos, xingamentos machistas. Alguns me convidam para sair, me dizem coisas grosseiras de todos os tipos. Mas eu amo entrar em campo e desempenhar a tarefa para a qual eu me capacitei durante tanto tempo”, disse Rosana ao portal argentino ‘911 Mujer’.

Em tempos de crescimento e valorização do futebol feminino na Argentino, uma mulher foi agredida enquanto trabalhava no futebol masculino, mostrando que o machismo no esporte é forte e precisa ser combatido a todo tempo. Mas forte também é luta diária de jogadoras, treinadoras, assistentes, jornalistas e árbitras no futebol. A determinação de Rosana em seguir como árbitra de futebol é inspiração e persistência para que no futuro esse caminho seja mais fácil para as próximas gerações.

“O futebol não é fácil para as mulheres, mas não vou dar o braço a torcer. Faço isso com muita paixão, adoro o meu trabalho. Amo o futebol. Agora só quero que chegue o próximo fim de semana para ser escalada para algum jogo e dar o meu melhor dentro de campo”, encerrou a bandeirinha.

Equipe Jogadelas

É inaceitável que as mulheres não possam mais apitar jogos de futebol sem sofrerem as mais diversas barbaridades como insultos que se caracterizam em violência verbal e as próprias violências físicas, como no caso de Rosana.

Que Rosana Paz e muitas outras árbitras e assistentes nos sirvam de exemplo de resistência para continuarmos a fazer o que tanto gostamos: viver do futebol.

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