Data da publicação da da nota da foto: (04/02/1965 Foto: Biblioteca Nacional/O Estado de São Paulo)

Na Ditadura Militar, as mulheres eram proibidas de praticar futebol

Não se comemora uma Ditadura

Por Bianca Miquelutti e Aira Fernandes Bonfim

Um Estado que não dialoga se torna intransigente e austero. O esporte, uma veia importante de representação nacional e de elaboração do lazer, também foi vítima dos mais diversos cerceamentos. O futebol feminino ou também chamado de futebol de mulheres, já era considerado impróprio para a natureza feminina duas décadas antes de 1960. Durante o Estado Novo (1937-1945), criou-se o decreto 3.199, que proibia às mulheres a prática de esportes considerados incompatíveis com as condições femininas.

Este decreto foi regulamentado pelo regime militar (1964-1985), e em 1965, o futebol feminino foi proibido em todo o Brasil.

A modalidade recebeu através de seus órgãos responsáveis, durante a Ditadura Militar vigente na década de 60 no Brasil, novas denúncias públicas e exposição nos veículos de comunicação como algo que deveria ser combatido. As mulheres que praticavam o futebol eram consideradas “grosseiras, sem classe e mal cheirosas”, além de desobedientes contra as leis do Estado.

Mesmo proibidas, as mulheres continuaram praticando o esporte, porém suas conquistas não podiam ser registradas, o que causou uma grande invisibilidade na história das mulheres no esporte. O silêncio delas na modalidade, não significou sua ausência.

O preconceito e a violência, alimentados por severas leis de dois períodos ditatoriais, chegaram às arquibancadas, onde as mulheres sentem o peso da discriminação por serem socialmente e esportivamente excluídas.

Ainda em 2019, continuamos afirmando que sim, o futebol, como qualquer outra modalidade esportiva, deveriam ser considerados caminhos abertos para qualquer pessoa. O futebol não tem gênero, é para todos. Se hoje temos a oportunidade de jogar, torcer, reportar ou narrar o futebol no Brasil, foi por resistência e força de grupos de mulheres que jamais desistiram de seus direitos mesmo diante de punições. Foi graças às mulheres consideradas subversivas que hoje podemos viver o esporte, sentir sua vibração e seguir sonhos. São lutas intermináveis que nos fazem 6 vezes a melhor do mundo, que nos liberta e emancipa e que nos tornam campeãs.

Por isso gritamos bem alto e forte: #ditaduranuncamais

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: