Foto: Eduardo Carmim / PHOTO PREMIUM

Futebol é sim lugar de política, mas não é lugar de político

Futebol é um lugar de representatividade, de luta, de política, mas nem mesmo o clube ou a federação pode dizer para a torcida qual pessoa ou lado político os representa

Por Drika Moura e Fernanda Paes

Em época de crise no mundo político, os grandes times do futebol brasileiro também roubam a cena, mas não com o bom futebol que a população gostaria de assistir. Os campeonatos estaduais iniciam os trabalhos dos clubes, mas a conexão com a política persiste de anos anteriores, o ditado que diz que política e futebol não se discutem ficou no passado.

Futebol sempre foi lugar de política. Quem não se lembra do famoso movimento da democracia corintiana na década de 80, liderada por Sócrates, que lutava pela participação dos jogadores nas decisões do clube? Além disso o futebol já foi palco de lutas contra o racismo, machismo e homofobia. E desde sempre fez campanhas para ajudar os mais necessitados. Futebol é sim lugar de política. Mas não é lugar de político.

E neste domingo o Corinthians foi novamente protagonista, dessa vez de forma negativa. Ao se sagrar tricampeão paulista em cima do São Paulo, o clube teve o senador Major Olímpio (PSL-SP) entregando as medalhas aos jogadores e comissão técnica usando uma camiseta do Brasil com o número 17, símbolo de seu partido, e levou uma das medalhas consigo. Além disso, o deputado estadual Caue Macris (PSDB-SP) chegou a erguer a taça junto com o capitão Cássio, que nem havia reparado a presença do deputado no momento.

Ano passado situação parecida já havia acontecido com o Palmeiras no título do campeonato brasileiro. O recém eleito presidente da república Jair Bolsonaro (PSL) participou da festa do título no gramado e entregou a taça ao capitão Bruno Henrique. Major Olímpio também esteve presente neste dia.

Foto: EFE/Sebastião Moreira

Independente de quem teria convidado ou permitido a participação destes parlamentares, seja o próprio clube ou até mesmo a federação, o claro posicionamento político em momentos de celebração do futebol causa um certo desconforto, e grande parte da mídia e da torcida repudiou as duas situações.

Em meio à essas controvérsias políticas, um clube colocou um verdadeiro representante do torcedor na festa do título. O E.C. Bahia chamou o seu Adherbal, de 81 anos, com cerca de 40 deles dedicados ao clube baiano, para a levantar a taça de campeão estadual junto com os jogadores. Ele luta contra um câncer de próstata e recebeu as mais que merecidas homenagens do time do coração.

Foto: Reprodução/EC Bahia

Futebol é um lugar de representatividade, de luta, de política… Mas nem mesmo o clube ou a federação pode dizer para a torcida qual pessoa ou lado político os representa. É uma falta de sensibilidade e responsabilidade para qualquer instituição que engloba os mais variados tipos de pessoas e opiniões.

A não ser que essa pessoa seja seu Adherbal. Esse representa o futebol da melhor forma possível.

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