Foto: Michael Dantas/Divulgação AllSports

Por Carol Cardoso

Iranduba. Cidade localizada ao lado de Manaus, mas do outro lado do Rio Negro, cujo nome em tupi-guarani significa “lugar com muitas abelhas”. É de lá que vem a maior colmeia do futebol feminino brasileiro. O lar das abelhas-rainhas, o Hulk da Amazônia. O Esporte Clube Iranduba.

Em um estado onde o futebol não é tão conhecido, o Iranduba conquistou um espaço inesperado e quebrou muitos paradigmas. Não só por ser um time de futebol na Amazônia, mas por ser uma equipe de mulheres.

Arena da Amazônia – Iranduba tem média de público superior ao futebol masculino

No campeonato brasileiro feminino do ano passado, a equipe teve uma média maior do que muitos jogos do masculino da série A. No duelo contra o Santos, em 2017, resultado de dois a um para o Peixe, a Arena da Amazônia teve o recorde de público da competição: 25.371 torcedores.

“Já joguei em outros estados. Acredito que nós somos o único time que consegue fazer isso no país. É difícil para outras equipes colocarem 500 ou 1.000 pessoas. Imagine, então, o que o povo de Manaus tem feito”, afirmou Djenifer Becker, capitã do Iranduba.

Uma das principais premissas para o baixo investimento no futebol feminino, segundo o mercado esportivo, é a falta de público. O Iranduba já provou, muitas vezes, que o brasileiro apoia sim as jogadoras. “O Iranduba foi capaz de reunir muitas pessoas de diferentes pensamentos, tribos, costumes e tradições. Ser torcedor é ser o 12° jogador, o que joga pelo lado de fora, sempre nas arquibancadas apoiando, cobrando, incentivando e empurrando o Hulk”, conta a torcedora fiel Jordana Mariele.

“Manaus tem uma carência de representatividade no futebol. Os times masculinos estão na série D e o torcedor não vê com otimismo o futebol local. Esse espaço deixado pelo futebol masculino foi preenchido com o futebol feminino”, afirma o analista de desempenho da equipe Marcos Lima.

Na capital do Amazonas, os principais times de futebol masculino disputam a série D. Assim, as mulheres do Iranduba têm uma visibilidade maior, já que jogam contra times de peso, no cenário geral, como Corinthians, Flamengo e Santos. “Hoje, quem movimenta o público no Amazonas somos nós. Nós tivemos recorde de público, conseguimos trazer a Libertadores para Manaus. Ficamos em terceiro lugar e foi uma honra para o Iranduba”, conta, orgulhoso, o assessor de imprensa da equipe, Thiago Albuquerque.

Libertadores – Jogadoras agradecem o apoio da torcida na competição internacional.

Atualmente, o time funciona em Manaus, mas essa história era bem diferente. Quando foi criado, em 2011, era necessário se locomover até a cidade de Iranduba de barco, já que a ponte que liga os dois municípios ainda não havia sido construída. Muita coisa mudou, e o futebol feminino também.

Ponte Manaus-Iranduba. A salvação para o deslocamento das jogadoras e comissão.

O próximo confronto da equipe será contra o Corinthians, no Pacaembu, nesta quinta-feira. Promessa de casa cheia e muitos olhos voltados ao futebol feminino. Interesse que poderia, e deveria ser maior, por parte dos investidores. “Nas viagens a gente vê que os outros times têm apoio da cidade e do governo local, aqui o clube não tem ajuda de ninguém. O clube enfrenta dificuldades para arrumar local para treinar, já que a oferta de campos de qualidade na cidade é muito escassa”, diz Marcos.

Manaus, realmente, é um ponto fora da curva, quando se trata de futebol no Brasil. Por lá, diferentemente dos outros estados do país, é o time feminino que move multidões, gera paixões e alimenta o imaginário das crianças. “Muita gente ainda não descobriu o futebol feminino. Acham que é sem graça e sem qualidade, mas nunca pararam para torcer por um clube. A partir do momento que o torcedor adotar um clube feminino para torcer e acompanhar os jogos de perto, esse pensamento vai mudar”, acredita Marcos e todas nós do Jogadelas!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: