Foto: Léo Ferreira

Por Júlia Faber, do 4dois3um

Chegamos ao fim de uma semana em que o futebol mostrou porquê tanto o idolatramos. Sentir orgulho de gostar de futebol é bonito, sim, e acontece com certa frequência. Desde a virada do Fluminense sobre o Grêmio, no domingo, passando pelas outras reviravoltas absurdas que a Champions nos proporcionou, com Tottenham e Liverpool, e chegando até a Libertadores que nunca deixa de emocionar ninguém. Foi, sim, daquelas semanas que poderia ser perfeita no mundo do futebol, mas por que tem que haver sempre um “mas”?

Esse “mas” é fruto do que tanta gente chama de mimimi do mundo atual, o que é um problemão no futebol. Ah! “O futebol é um ambiente majoritariamente masculino, é lugar de macho, sempre foi assim”: esse é um discurso muito comum por aí, só que o futebol também não é um ambiente negro?! Então por que ainda tem tanto racismo nesse universo?

Se você não está entendendo nada, eu explico. Torcedores e jogadores do Flamengo sofreram forte racismo no jogo contra o Peñarol, na última rodada da primeira fase da Libertadores. Torcedores uruguaios imitaram macacos e chegaram a jogar um objeto no Vitinho, jogador do Flamengo. No início da semana, Yony Gonzalez, do Fluminense, foi chamado de macaco por torcedores do Grêmio, que chegou a verificar as imagens para tomar providências necessárias.

Isso não é tudo. Mulheres declararam ter sofrido assédio e atos machistas na Fonte Nova, no jogo Bahia x Avaí, pelo Campeonato Brasileiro. A população brasileira é, em sua maioria, negra e também feminina, portanto nada mais comum que estas pessoas ocupem estádios de futebol que é parte da cultura nacional.

Entendam que os politicamente corretos não aguentam mais falar sobre isso, nenhum de nós quer, de fato, reclamar de racismo. Não é legal dizer que sofreu homofobia. Nenhuma mulher quer trocar de lugar na arquibancada porque tem gente ofendido com a sua presença no estádio. Isso tudo se faz necessário, só que parece que a gente só entende quando é com a gente.

Falar de tudo de incrível que o futebol proporcionou essa semana é o que seria falar mais do mesmo, pois eu li, ouvi e assisti muito os gols do Lucas, a comemoração do Klopp e as zoações e memes incríveis, mas vi muito pouco se falar sobre casos de racismo e assédio. Vamos pensar, vamos mudar!

Esse ano a Copa do Mundo Feminina bateu recorde de venda de ingressos, pela primeira vez o campeonato vai ser transmitido pela TV Globo, o Campeonato Brasileiro Feminino terá partidas transmitidas pela BandTV, o mundo está mudando. É bom saber que se estamos melhorando um pouquinho todos os dias é porque os torcedores, os clubes e a bola rolando contribuem para isso. Não por isso podemos deixar de lado o fato de que não existe um padrão de pessoa que pode torcer ou jogar futebol nem qualquer outro esporte. O esporte foi feito para unir, é cultura, é educação e é para todos nós.

São dois lados de uma mesma moeda. O futebol gera alegrias imensuráveis e também chama atenção para problemas da sociedade, faz parte da nossa manifestação social. O futebol é tão incrível que é capaz de fazer isso com enorme maestria, que coisa linda é esse esporte!

Júlia Faber é jornalista, formada na ESPM-Rio. Apaixonada por futebol e pelo Brasil, torcedora de estádio. A procura de boa informação sempre. E-mail: juliadeoliveirafaber@gmail.com

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