Foto: Alex Grimm/Getty Images

Por Raffaela Carolina e Katherine Almendra

Após uma década, teremos uma mulher apitando um jogo da elite do futebol nacional. O anúncio foi dado pela Comissão de Arbitragem da CBF. Edna Batista será árbitra central da partida entre CSA e Goiás pelo Campeonato Brasileiro Série A. Edna também apitou o jogo entre América-MG e Sport, no último domingo (19), pela segunda divisão do campeonato.

A escolha da paranaense representa um momento histórico para o futebol brasileiro. Após 14 anos, uma mulher voltará a apitar um jogo da elite do futebol nacional. A última partida da séria A apitada por uma mulher foi no jogo entre Paysandu e Fortaleza, em 2005. A mediadora da partida foi a ex-árbitra Silvia Regina, que estará presente como supervisora do VAR no confronto do dia 27.

A árbitra também representará o Brasil na Copa do Mundo Feminina de Futebol junto aos assistentes Neuza Back e Emerson Augusto de Carvalho. Segundo o presidente da comissão, Leonardo Gaciba, a árbitra serve de exemplo para outras mulheres que desejam trabalhar com o futebol profissional.

“Eu só consigo ver meus árbitros como pessoas iguais. Acho que ela serve como exemplo não só para mulheres, mas para todos. A Edina era bandeira, abriu mão do escudo da FIFA, de árbitra internacional, porque tinha o sonho de ser árbitra central. Então, ela voltou às categorias de base, começou a apitar na base, largando o escudo internacional de auxiliar. Ela já conseguiu alcançar o quadro internacional como árbitra central e, hoje, está chegando na Série A. Para mim, ela é um exemplo para todo mundo.”, disse Gaciba.

É de extrema importância a inclusão e a valorização de mulheres no quadro de arbitragem do futebol local. O Brasil foi um dos primeiros países a ter uma figura feminina apitando um jogo do Campeonato Brasileiro, em 2002, mas logo fechou as portas para as que poderiam vir depois desse acontecimento.

Durante esses 14 anos, algumas mulheres tentaram exercer seu trabalho nos gramados. Foi exigida igualdade física em relação aos árbitros, a qual foi concedida, porém, comentários vindos da torcida e até mesmo de técnicos são constantes, diminuindo a imagem feminina no meio futebolístico. Seriam esses os motivos da ausência de árbitras durante tanto tempo na elite do futebol brasileiro?

Esperamos que esse seja só mais um passo para a inserção de mulheres na arbitragem dos campeonatos nacionais.

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