Por Gabriela Nolasco

Ainda bem que abriram os olhos para a categoria do futebol feminino, aliás, já deveriam ter percebido o constante crescimento. O país do “futebol” vêm caminhando à passos estreitos mas aprendendo através de suas atletas o que é ser mulher e como deve ser entendido suas jogadoras. Não vivemos apenas de Marta, ela é única mas temos que ter diversas outras Martas, Cristianes e Formigas.

Não apenas por ser o ano de Copa do Mundo, mas lembrar todos os anos de quanto essas mulheres merecem ser reconhecidas. No ano de 2017, a Caixa Econômica Federal era a patrocinadora master do Campeonato Brasileiro Série A e B Feminino, assim, responsável financeiramente nas transmissões para o Sportv, do Grupo Globo. Após o término do contrato, não houve mais divulgação das partidas.

Depois de dois anos, o categoria feminina ganha destaque na televisão. Não apenas os jogos da Seleção no Mundial pela primeira vez na tv aberta, mas também os campeonatos nacionais e estaduais. Um exemplo de investimento é a TV Bandeirantes, que fechou uma parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para os principais jogos do Campeonato Brasileiro A1 e A2. Outra emissora é a Rede Vida que passa a transmitir os jogos do Campeonato Paulista, em São Paulo.

Assim como a plataforma MyCujoo transmitirá todos os jogos do campeonato e a parceria entre o Twitter com a CBF cobre apenas um jogo por rodada do campeonato pela conta oficial.

Sem dizer os jogos sendo levados para próximo do público. A equipe do Corinthians e do Santos levaram seus jogos para o Pacaembu, no início do mês, assim como o São Paulo mandou o jogo contra o Palmeiras para o estádio no último sábado (24). Pelo regulamento, clássicos não podem ser realizados em Centros de Treinamento, então, a equipe são-paulina levou o Choque-Rei ao Paca. Um adendo desse problema é que pela lei não permite em nenhuma categoria ter torcida dos dois times quando é clássico, infelizmente. O lado bom é que diversas plataformas transmitiram a partida, assim como a Rede Vida e a Federação Paulista de Futebol (FPF).

Algo incrível são as divulgações e transmissões feitas pelas plataformas e redes sociais das próprias equipes. O São Paulo transmite todos os jogos, assim como o próprio Corinthians, Santos e Palmeiras através do Youtube. Um fator importante de ser analisado é a proximidade em divulgar esses jogos. Muitos são feitos em cima da hora por conta das datas sairem em cima da hora pelas Federações.

Claro que as alterações de locais são previstos conforme o masculino joga e como será a disponibilidade do estádio. O que falta é criar um material incrível com treinos, estatísticas e dados de todas as jogadoras por campeonato. A falta de informação para criar um conteúdo é cansativo e demorado. Não que seja ruim, mas é um conteúdo demorado para ser entregue, se tornando um descaso em desenvolver uma análise de dados para o público. A falta de interesse da categoria feminina em ser deixada de lado e agora ver que não é preciso.

Não apenas interagir mas mostrar suas jogadoras, desenvolver interações durante as partidas nas redes sociais. O próprio Palmeiras apenas divulga a chamada “ao vivo” no Twitter mas não mantém uma base de tempo real com os torcedores, não é questão de mostrar mas sim entregar uma novidade, sair da rotina em ser apenas visto como o masculino. Ou levar um perfil único para a torcida e interagir com suas jogadoras, que é o caso de diversas equipes.

As marcas só chegam até o clube quando mostram desempenho do valor de publicidade. Chega até ser chato, mas é culpa da mídia em divulgar os jogos e cobrir as partidas. Um exemplo básico foi no Choque-Rei do último sábado (24), no Pacaembu. Era previsto ter coletiva mas por falta de jornalistas, apenas foi uma conversa entre as atletas com as mídias. No caso só foram o Jogadelas, Dibradoras e o movimento São Pra Elas.

Aí fica uma dúvida: cobramos tanto pela falta de dados, mas corremos atrás para divulgar e mostrar o potencial de toda essa mulherada? Diversos veículos foram ver a coletiva de apresentação da Cris, mas em um clássico desse não teve grande repercussão. Não basta ser apenas no ano da Copa, todos os anos são de crescimento. Todos os anos têm que ter Copa para assim ver e enxergar o quanto essas meninas e mulheres precisam de seu valor?

O Guaraná Antártica teve que fazer um comercial para desenvolver um pensamento tão básico na mente do público, as marcas – que também têm falta de investir no futebol feminino – em financiarem o desenvolvimento da Seleção Feminina, não apenas para a Copa do Mundo na França, mas assim como em todos os anos. São diversos lados que têm culpa nisso, as federações, a mídia, as marcas e o pensamento pífio em enxergar o futebol feminino como gasto e não como investimento.

%d blogueiros gostam disto: