Conheça o Grupo C: Austrália, Brasil, Jamaica e Itália

Austrália

Ranking FIFA da Austrália: 6º lugar

O futebol feminino australiano está sonhando alto. O país lançou um programa de formação para futuras Matildas, como são chamadas as jogadoras da seleção, e é candidato a sede do Mundial de 2023.

Sam Kerr tem influenciado muitas jovens australianas a se interessarem pela prática do futebol. Com 25 anos de idade, ela já foi indicada ao prêmio Bola de Ouro feminina e é a maior artilheira dos campeonatos australiano – o W-League – e americano – Liga Nacional de Futebol Feminino (NWSL). Jogando pelo seu time, o Chicago Red Stars, ela venceu, no mês passado a Copa das Nações. Trata-se de um torneio amistoso de preparação para a Copa do Mundo. É mais um sinal de que será preciso prestar atenção nas Matildas no Mundial deste ano, na França.

Sam Kerr of the Matildas celebrates after scoring a goal during the second International friendly match between the Australia Matildas and Chile at McDonald Jones Stadium in Newcastle, Tuesday, November 13, 2018. (AAP Image/Darren Pateman) NO ARCHIVING, EDITORIAL USE ONLY

A Austrália é atualmente a sexta no ranking de seleções da FIFA e estará no grupo C da competição, juntamente com Itália (15º), Brasil (10º) e Jamaica (53º). Ela já é favorita do grupo e tem lugar garantido no mapa do futebol feminino no mundo.

Apesar da concorrência acirrada com o rúgbi, o futebol australiano e o críquete, com quem disputa a atenção da mídia e o número de praticantes, o futebol já se tornou o esporte mais praticado em clubes na Austrália, com mais de um milhão de adeptos. A metade desse público é de crianças, de acordo com uma pesquisa de 2016 do Ministério dos Esportes.

As melhores colocações da Austrália em competições internacionais são o 6º lugar na Copa do Mundo de 2007, o 5º lugar nos Jogos Olímpicos de 2004, o 2º lugar em 2006 e o 4º lugar em 2008 na Copa da Ásia, além do 2º lugar no Campeonato da Oceania em 1983,1986 e 1991 e o 3º em 1989 na mesma competição

Os títulos que a Austrália carrega é da Copa da Ásia de Futebol Feminino de 2010, além do Campeonato da Oceania de Futebol Feminino: 1995, 1998 e 2003.

Ex-jogador da seleção australiana, o treinador de 44 anos assumiu o lugar de Alen Stajcic, demitido em janeiro passado depois de ter sido acusado de deixar o ambiente “insatisfatório” dentro do grupo de jogadoras que comandava. A Federação Australiana de Futebol (FFA, na sigla em inglês) se limitou a apresentar esta justificativa para dispensá-lo naquela ocasião e não entrou em detalhes sobre os motivos que provocaram a saída de Stajcic, assim como agora confirmou que Milicic seguirá à frente da seleção pelo menos até o final da campanha neste próximo Mundial.

O apelido da seleção australiana – Matildas – vem de uma canção popular da Austrália chamada Waltzing Matilda. A jogadora Lisa De Vanna, que atua na Inglaterra, foi a artilheira da Austrália na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2007 com 4 gols. Para vários torcedores que acompanharam a competição, as Matildas eram as jogadoras mais bonitas da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2007.

A craque da Austrália é Lisa De Vanna. Lisa nasceu em Perth, na Austrália. Ela nasceu e cresceu na pequena cidade portuária de Fremantle , localizada a cerca de 30 minutos a sudoeste de Perth. De Vanna desenvolveu seu amor pelo futebol em tenra idade e disse que dormiu com sua bola de futebol e passou grande parte de seu tempo na juventude jogando futebol na rua com seu irmão.

Lisa de Vanna comemorando com sua companheira de seleção Sam Kerr

Ela marcou quatro gols pela Austrália na Copa do Mundo de 2007 – uma no empate de 1 a 1 contra a Noruega, duas na vitória por 4 a 1 contra o Gana , e uma contra o Brasil na derrota de sua equipe por 2 a 3 nas quartas-de-final. Cada gol que marcou na Copa do Mundo foi dedicado ao pai, que morreu três meses antes do início do torneio.

Em 1º de outubro de 2007, Lisa foi nomeada para a equipe All Star da Copa do Mundo Feminina da FIFA e também foi indicada ao prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007. Ela foi nomeada Atleta Australiana do Ano da Austrália Ocidental em 2007. Depois de voltar para casa após a Copa do Mundo, De Vanna voltou para um emprego em um posto de gasolina.

Em maio de 2011, De Vanna foi mandado para casa de um campo de treinamento para preparar a seleção para a Copa do Mundo. O treinador australiano Tom Sermanni afirmou que a expulsão foi por um padrão inaceitável de comportamento. Em setembro do ano passado, De Vanna havia sido alvo de uma queixa, depois que fotos envolvendo um grande pênis inflável foram postadas em sua página no Facebook. Ela foi censurada pela Federação Australiana de Futebol e instruída a remover as fotos ofensivas. De Vanna se mudou para a Suécia para a temporada 2012/13, mas discutiu que seu desejo de jogar pelo The Matildas era mais forte do que nunca.

Em 8 de junho de 2015, De Vanna foi a capitã do Matilda em seu 100º jogo, marcando seu único gol na vitória por 3 a 1 para os Estados Unidos na Copa do Mundo Feminina da FIFA 2015 .

Atualmente, De Vanna é a maior goleadora da história de Matildas com 47 gols.

Brasil

Ranking FIFA do Brasil: 10º lugar

A Seleção Brasileira disputou sua primeira partida em 1986, quando enfrentou os Estados Unidos em um amistoso internacional e foi derrotada por 2 a 1. Até hoje participou de todas as edições da Copa do Mundo Feminina e do Torneio de Futebol dos Jogos Olímpicos. Além disso disputa amistosos internacionais e outras competições como os Jogos Pan-Americanos, o Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino, e anualmente desde 2009 disputa o Torneio Internacional de Futebol Feminino.

É considerada uma das melhores seleções de futebol feminino do mundo. Apesar de ter pouco (e, muitas vezes, nenhum) apoio de dirigentes, torcida e imprensa, sempre está bem posicionada no Ranking da FIFA. Porém, não tem nenhum título expressivo de nível mundial.

Em 2007, o Brasil era uma das seleções favoritas ao título da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2007 chegando pela primeira vez à grande final e obteve o 2º lugar, sua melhor colocação nessa competição até hoje. Antes da derrota na final para a Alemanha por 2 a 0, as jogadoras cantaram sua música, como fizeram antes do título Pan-Americano do Rio 2007. Porém, não teve sorte e perdeu.

Em 2011, o Brasil disputou a Copa do Mundo de Futebol Feminino na Alemanha, treinada por Kleiton Lima a equipe que tinha jogadoras como Marta, Cristiane e Érika encerrou a primeira fase com 100% de aproveitamento e a melhor campanha dentre as 8 seleções que se classificaram para a segunda fase: 3 vitórias em 3 jogos, 7 gols marcados e nenhum sofrido. Nas quartas de final, Brasil e Estados Unidos fizeram uma espécie de final antecipada, num jogo emocionante a partida terminou empatada por 1 a 1 nos 90 minutos do tempo regulamentar. Nos 30 minutos da prorrogação, novo empate por 1 a 1, a vaga na semifinal foi decidida nos pênaltis vencida pelas norte-americanas por 5 a 3.

Vadão voltou à seleção brasileira feminina em setembro de 2017, após uma passagem confusa de Emily Lima pela equipe, que durou menos de um ano no cargo e muitos contestarem o motivo de uma demissão tão precoce.
Em meio a muitos protestos contra a demissão de Emily e algumas jogadoras como Cristiane e Rosana terem até anunciado abandonar a seleção após o caso, Vadão já entrava para sua segunda passagem bastante pressionado. E chega pra essa copa ainda mais questionado. Nos últimos 9 jogos oficiais pela seleção somou 9 derrotas e foi muito criticado por mudanças repentinas nos esquemas de jogo, a mais famosa delas quando improvisou a meia atacante Andressa Alves como lateral, que ele depois explicou como sendo uma das posições que ela jogou no começo da carreira. Além disso, a convocação pra essa copa também foi alvo de questionamentos, quando ele chamou apenas 4 meias e 8 atacantes, com o discurso de elas serem polivalentes e podendo atuar em mais de uma posição.

Como méritos claros para essa comissão técnica podemos somente destacar a volta de Cristiane para o elenco e também da Formiga, que já havia anunciado a aposentadoria da seleção. No restante, o técnico Vadão terá a frente muita cobrança e desconfiança.

Convocação oficial:

Marta, 33 anos, é sem dúvida a maior craque do Brasil. Com 6 prêmios de melhor do mundo pela FIFA e indo pra sua quinta copa do mundo, a alagoana acumula recordes e prestígio no mundo. É a maior artilheira da copa do mundo feminina com 15 gols e esse ano pode se tornar a maior entre homens e mulheres, sendo que Miroslav Klose, da Russia, tem 16 gols em copas. Ela já tem mais Bolas de Ouro que Messi e Cristiano Ronaldo: são seis. Essa é provavelmente sua última copa.

Formiga, com seus incríveis 41 anos, é a recordista em participações em copas, indo agora para sua sétima aparição com o condicionamento da primeira copa. Anunciou sua aposentadoria da seleção em 2016, mas voltou em 2018 para a disputa da copa América por conta da importância que ela sempre teve no comando do meio de campo brasileiro. É sua última copa e procura fazer ainda mais história

Marta

Jamaica

Ranking FIFA da Jamaica: 53º lugar

A seleção feminina jamaicana é um dos mais explícitos casos de intervenção social por meio do futebol, oferecendo acesso à educação e maior qualidade de vida, fato que acabou abrangendo não apenas as jogadoras, mas a comunidade.

Tudo começou nos anos 1970, com uma atleta chamada Beverly Ranger. Nascida na Jamaica, mudou-se aos 12 anos para a Inglaterra e começou a jogar futebol com garotos, num parque perto do estádio de Wembley. Foi notada por um jornalista e jogou em dois times ingleses (o Watford  e o Amersham Town), antes de partir para a Alemanha, em 1974. Lá, ficou conhecida como Black Pearl, a pérola negra. Foi a primeira jogadora a receber um salário, ganhou prêmio pelo gol do mês (desbancando muitos marmanjos) e foi a primeira mulher a ser patrocinada pela Puma. Ficou devidamente conhecida nos campeonatos da Alemanha, lotando estádios e conquistando campeonatos e sendo apelidada da “Pelé feminina”.

Atualmente, um dos maiores destaques da seleção da Jamaica é a jogadora Bunny Shaw de apenas 22 anos. Bunny já marcou 26 gols em 30 jogos. E foi a primeira jogadora do país a estar no Guardian Footballer of the Year, além de ser a primeira a fechar um contrato com a Nike, frutos de seu talento e dedicação.

Buuny Shaw

A Associação Jamaicana de Futebol Feminino foi criada em 1980 e a Liga Feminina, com 6 times, apenas em 1990. Foi um desenvolvimento lento, não por escassez de talentos, mas de recursos e vontade política. 

A Sherwin Williams tem sido, ao longo da última década, a única empresa a investir no futebol feminino da Jamaica.  Seu suporte permite a transição das meninas dos campeonatos escolares, para o grupo principal. Além do apoio ao esporte, a empresa tem ajudado as atletas individualmente, com bolsas de estudo, treinamento de habilidades profissionais e oportunidades de emprego. A Sherwin Williams Women’s League conta, atualmente, com 12 times.

Em 2014 sofreram com falta de verba que quase não as permitiu classificar para a Copa do Mundo, precisando da ajuda de Cedella Marley, administradora da Fundação Bob Marley, e de uma arrecadação de fundos para custear transporte, alimentação, etc. Com isso, saíram do 125º lugar no Ranking Fifa e atualmente ocupam o 53º.

Hue Menzies é o treinador da seleção jamaicana, indicado por sua vasta experiência em desenvolvimento olímpico para o futebol, mesmo com pouco orçamento conseguiu levar as Reggae Girlz até a Copa do Mundo.

Itália

Ranking FIFA da Itália: 15º lugar

2018 foi um ano vitorioso para a seleção feminina italiana, a começar pela classificação da seleção feminina italiana para a Copa do Mundo depois de duas décadas de ausência, passando pelo fato de a federação voltar a olhar e cuidar da modalidade. Além disso, foram firmados contratos de direito de transmissão de jogos na TV e foram criadas equipes formadas por mulheres por parte das mais tradicionais e vitoriosas agremiações 

O futebol feminino italiano progrediu bastante nos últimos anos. Clubes grandes, como Juventus, Milan e Roma, criaram equipes para a disputa da Serie A Femminile e aproximam as jogadoras das torcedoras e dos torcedores através das redes sociais. Outro ponto positivo para o crescimento da modalidade na Velha Bota foi o já citado fato de a seleção italiana da categoria também ter se classificado com antecedência para a Copa do Mundo da França, a um ano do início do torneio.

Hoje, as jogadoras podem jogar em clubes organizados e receber uma compensação financeira para se manter, conforme recorda Katia Serra, meio-campista que esteve em atividade de 1986 a 2010. Outro aspecto incisivo de mudança no futebol feminino nas últimas décadas foi a criação de setores juvenis mistos ou apenas femininos dentro das agremiações, o que, inclusive, possibilitou a formação de seleções de base.

Uma das maiores jogadoras atuantes na Itália é Barbara Bonansea. A meia-campista de 27 anos joga pela Juventus e conquistou o Campeonato Italiano e a Copa da Itália nesta temporada de 2019.

Barbara Bonansea

Desde de 2017, a Itália é treinada por Milena Bertolini.

Após 20 anos sem conseguir se classificar para o Mundial feminino (a última vez que as italianas estiveram na competição foi em 1999), a Itália vive um momento de transformação no futebol feminino. Com grandes investimentos recentes de alguns dos principais times de camisa, como Juventus, Roma, Fiorentina e Milan, o país conseguiu um feito histórico nas eliminatórias europeias garantindo a classificação com uma campanha de 7 vitórias em 8 jogos.

No último dia 15 de junho, quando a seleção feminina da Itália já havia confirmado a classificação para a Copa do Mundo, a Roma fez seu anúncio oficial no site: “Temos o orgulho de anunciar que o clube terá um time competindo na Série A feminina nesta temporada. O clube acredita que toda criança merece a mesma oportunidade: que meninas e meninos precisam ter a mesma chance de sonhar em um dia entrar em campo vestindo as famosas cores da Roma”, dizia a nota publicada no site oficial.

Enfim, os principais times da Itália começaram a investir em futebol feminino e assim a seleção começou a ter uma base mais forte e vem com tudo para a competição.

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