Conheça o Grupo D: Inglaterra, Escócia, Argentina e Japão

Inglaterra

Ranking FIFA da Inglaterra: 3º lugar

O ano de 2019 tá sendo marcado pela grandeza dos times ingleses no mundo “It’s coming home. Football’s coming home” nunca fez tanto sentido. Não somente com a equipe masculina, mas com a feminina também.

As Lionesses, como são chamadas as inglesas da seleção, entram forte na disputa. Se não estão no mesmo patamar de Estados Unidos e França, consideradas as grandes favoritas, são candidatíssimas a chegarem na semifinal e, por que não, serem campeãs.

O bom desempenho da Inglaterra nos últimos tempos fez com que as lionesses conquistassem o título da She Believes Cup, torneio preparatório para a Copa do Mundo que terminou em maio deste ano. Brasil, Japão e Estados Unidos também estavam na disputa. Com um empate por 2 a 2 com as americanas e vitórias contra Brasil por 2 a 1 e Japão por 3 a 0 garantiram a taça para as inglesas.

Além do êxito com a seleção nacional, a Federação Inglesa vem fazendo um ótimo planejamento. É apoiando e desenvolvendo a Women Super League (WSL), principal campeonato entre clubes da Inglaterra, que conta com os principais times do país (City, United, Chelsea, Arsenal e Liverpool), que pôde fortalecer e formar um elenco extremamente competitivo e de alto nível.

Em 2018, a WSL se tornou, pela primeira vez, totalmente profissional, com transmissões acertadas com a BBC. E os grandes clubes o país, como Manchester City, o Chelsea e o Arsenal, investiram pesado em seus times femininos nos últimos anos, não só nas jogadoras que formam em suas bases, mas também nas contratações internacionais. O Manchester United finalmente se juntou ao grupo: organizou seu time feminino para o campeonato da segunda divisão, no ano passado, e imediatamente começou a montar uma equipe de talentos que busca brigar por títulos. A maioria das jogadoras da Seleção Inglesa está atuando no futebol local. No time principal oito jogam na Inglaterra. No total, são 16 das 23 jogam jogando em casa.

Um dos maiores destaques da seleção inglesa é Lucy Bronze. A lateral-direita é polivalente e atua no Lyon, atual campeão da Champions League Feminina. Ela ganhou o prêmio de Melhor Jogador do Ano da PFA Feminina do Ano – em 2014, e novamente em 2017. Em 2018, foi eleita a melhor jogadora do ano da BBC

Lucy Bronze

O ex- técnico da seleção inglesa feminino foi demitido por machismo em 2017. Mark Sampson, foi mandado embora por “comportamento inapropriado e inaceitável”, de acordo com a Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês). Através de uma investigação apontou-se que as atitudes inadequadas de Sampson ocorreram quando ele treinava o Bristol. Em 2013, Mark saiu do Bristol para assumir a seleção inglesa. As ingleses obtiveram seu melhor resultado em uma Copa do Mundo sob o comando de Sampson, ao conquistarem o terceiro lugar em 2015.

O atual treinador da Inglaterra é o ex-lateral Phil Neville. No ano passado, Neville se desculpou por postagens sexistas que fez na época que era atleta e tem se mostrado muito preocupado com várias categorias do futebol feminino, bem como o preparo da arbitragem em jogos femininos e pediu a abertura de estádios de clubes ingleses para os times femininos.

Os maiores resultados da seleção inglesa foram dois 2º lugares na Eurocopa Feminina em 1984 (quando este campeonato ainda se chamava “European Competition for Representative Women’s Teams”) e 2009 e o 3º lugar na Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2015.

Escócia

Ranking Fifa da Escócia: 20º lugar

Assim como também aconteceu no Brasil, o futebol feminino na Escócia era disputado de forma ilegal até 1970, quando a proibição foi retirada por autoridades locais. Por esse fator, primeira partida oficial da seleção feminina da Escócia aconteceu em 1972, perdendo por 3 a 2, para a seleção da Inglaterra. A equipe escocesa só passou a ser dirigida pela Associação Escocesa de Futebol (SFA) em 1998 e começou a aparecer no cenário mundial da bola tardiamente, com a sua primeira Eurocopa realizada no ano de 2017 e agora em 2019, com a sua primeira participação em uma Copa do Mundo.

Após vencer a Albânia por 2 a 1, a seleção feminina da Escócia conseguiu se classificar pela primeira vez a uma Copa do Mundo, terminando em primeiro no Grupo 2 das eliminatórias europeias, com 21 pontos, dois a mais que a Suíça.

“A Escócia vem tendo resultados expressivos, é a primeira vez que vai para a Copa do Mundo, mostrando que evoluiu muito no futebol feminino. A equipe vem tendo bons resultados nos últimos jogos.” Disse Vadão elogiando o time escocês. Durante a fase de classificação pra Copa do Mundo feminina, a Escócia perdeu apenas um jogo, que foi contra a Suíça por 1×0, foi apenas 1 derrota pra 7 vitórias em 8 jogos, chegando a fazer 5×0 na Albânia.

A Escócia é treinada por uma mulher, a técnica Michelle Kerr conhecida como Shelley Kerr. Na época de jogadora, Shelley era reconhecida como uma jogadora difícil tanto mental como fisicamente,  boa no ar e também com a bola a seus pés, e que às vezes atacava bem. Shelley traz para o papel de treinadora da seleção uma riqueza de experiência como jogador e treinador em clubes e em nível internacional. Ela já liderou a seleção feminina Sub-19 da Escócia Feminina para as finais do Campeonato Feminino Sub-19 da UEFA. Depois de deixar a Federação escocesa, mudou-se para Inglaterra para gerir o Arsenal Ladies de 2013 a 2014, período em que ganhou duas Taças de Inglaterra consecutivas.

Ela se tornou a primeira gerente feminina no futebol masculino britânico quando foi nomeada gerente da Universidade de Stirling em 2014, levando-os a uma final do Campeonato Britânico de Universidades e alcançando consistentes cinco primeiros lugares na Scottish Lowland Football League.

Antes da Shelley, a Escócia foi treinada por outra mulher, a Anna Signeul. Anna fez um trabalho fantástico ao longo dos seus 12 anos no cargo e mudou realmente a percepção do jogo de meninas e mulheres na Escócia. E foi graças ao trabalho da Anna que a Escócia acabou culminando com a liderança do seu grupo e se classificando pela primeira vez para uma Copa do Mundo.

Sobre o legado da Anna na Escócia: Ela começou a ser treinadora aos 21 anos. Também levou a Escócia a um recorde de 20 pontos no Ranking Mundial Feminino da FIFA . Para além da sua posição como Treinadora Nacional, a Signeul também tem uma missão mais ampla responsável pelo desenvolvimento do futebol feminino em todos os níveis da Escócia. A Signeul anunciou em janeiro de 2017 que deixaria a Escócia depois da Euro Feminina da UEFA 2017 para se tornar a treinadora principal da Finlândia.

Durante os amistosos preparatórios pra Copa, a Escócia venceu o Brasil em abril desse ano, por 1 a 0, gol da meia atacante Kim Little que estará na Copa.

Kim Little

Destaque para as atacantes da seleção. Uma das jogadoras mais brilhantes da Super Liga Feminina, Erin Cuthbert. A atacante do Chelsea marcou oito gols e proporcionou cinco assistências, e com apenas 20 anos de idade, é uma das mais esperadas pro mundial.

Grande parte das escocesas disputa o Campeonato Inglês, como a atacante Jane Ross. Jane Ross é a maior pontuadora da equipe, com 58 gols em 126 aparições na Escócia.

Argentina

Ranking Fifa da Argentina: 37º lugar

A seleção argentina é considerada a segunda maior força da CONMEBOL, porém ainda está se estruturando para trilhar caminhos e conquistar o cenário mundial.

A Argentina vive um período histórico com a profissionalização do futebol feminino dentro do país, o que certamente proporcionará grandes mudanças estruturais para a categoria. Essa luta se iniciou com Macarena Sánchez, ex-jogadora do UAI Urquiza que criou movimentos exigindo reconhecimento como profissional. Lá na Argentina elas exigem o básico como salários fixos e não apenas vales de transporte e refeição. Macarena recebeu ameaças de morte após intimar seu clube para ser regularizada.

Fortalecendo a luta de Macarena Sanchez, a seleção argentina também lutou pela voz feminina. Após doze anos, o grupo alcançou a classificação para a Copa do Mundo da França, que inicia em junho deste ano. Com muito esforço e depois de protestar por melhores condições de trabalho, o conjunto voltará ao cenário internacional e terá como rivais a Inglaterra, o Japão e a Austrália.

O protesto foi realizado em setembro de 2017, quando a seleção voltou ao “trabalho” depois de dois anos sem treinador. A AFA também não havia cumprido com o pagamento dos vales: cerca de 140 pesos (14,00 reais) voltados para o transporte das jogadoras até o centro de treinamento (fora da capital), onde eram obrigadas a treinar no campo sintético. Também careciam de concentração e comodidade: nas poucas viagens que faziam para jogar amistosos, as integrantes do elenco precisavam dormir em ônibus para cumprir seus compromissos.

Diante de todas as dificuldades, a Argentina se classificou para a Copa do Mundo Feminina o empatar 1-1 com o Panamá.

O destaque Sole Jaimes não poderia ficar de fora desse Guia, Sole é a única argentina a ganhar a Champions League Feminina com o Lyon e estará na Copa do Mundo Feminina na França.

Sole James

A Argentina vai jogar na França a sua terceira Copa do Mundo após doze anos de ausência, depois de suas participações no mundial em 2003 nos Estados Unidos e em 2007 na China, onde acabaram ficando com a última colocação. Foi terminaram em terceiro lugar na Copa América que as argentinas aderiram à repescagem depois de terminar em terceiro lugar na Copa América, atrás do Brasil e Chile, já classificados.

Considerado um dos melhores técnicos da seleção argentina, José Borrello era o diretor técnico da modalidade feminina quando elas conquistaram a primeira e a única vez a Copa América em 2006 e ajudou a classificar a argentina pros jogos olímpicos de Pequim em 2007.

Japão

Ranking Fifa da Argentina: 7º lugar

Pra finalizar, a não menos importante, muito pelo contrário, a potente seleção do Japão completa o Grupo D. O Japão é campeão mundial em todas as categorias no futebol feminino.

Esse marco ocorreu no ano passado, quando o Japão se tornou campeão da Copa do Mundo feminina sub-20 pela primeira vez, e assim se sagrou o primeiro e único país a ser campeão mundial em todas as categorias da Fifa no futebol feminino (profissional, sub-20 e sub-17). O Japão tem uma Copa do Mundo conquistada em 2011, na final enfrentaram os EUA e venceram nos pênaltis.

O Japão, por exemplo, esteve presente em todas as últimas finais mundiais do futebol feminino. Em 2015, as japonesas enfrentaram os Estados Unidos na Copa do Mundo profissional e perderam por 5 a 2.

No seu currículo, o Japão também tem o título dos jogos Asiáticos, conquistando a medalha de Ouro de 2010.

No ano passado também, a seleção japonesa conquistou o título de Copa da Ásia pela segunda vez consecutiva. Estreando a Copa do Mundo da França com o título de campeão asiático e como um time com potencial de ser campeão.

Destaque para Saki Kumagai, jogadora do Lyon que atua como primeiro-volante. Saki é a base de marcação do poderoso clube francês e lidera a equipe em desarmes e roubos de bola. Kumagai também é fundamental na tradicional seleção japonesa e marcou o gol de pênalti que deu a taça de campeão da Copa do Mundo em 2011 ao Japão. Pela seleção, ela ainda conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Londres, em 2012.

KIEV, UKRAINE – MAY 24: Saki Kumagai of Olympique Lyonnais in action during the during the UEFA Womens Champions League Final between VfL Wolfsburg and Olympique Lyonnais on May 24, 2018 in Kiev, Ukraine. (Photo by Etsuo Hara/Getty Images)

Na sua história, a seleção japonesa teve a honra de ter uma das lendas do futebol feminino na sua equipe, a Homare Sawa (a Formiga do Japão), hoje com 40 anos e aposentada do esporte, Sawa acumula uma carreira impecável. Foi campeã mundial com a Seleção Japonesa de Futebol Feminino na Copa do Mundo da Alemanha. Além do título, ganhou a Bola de Ouro como melhor jogadora do torneio, e a Chuteira de Ouro com os 5 gols no campeonato e o prêmio Fair Play. Em 2012, Homare Sawa conquistou a Bola de Ouro de Melhor Jogadora do Mundo pela FIFA, superando Marta e Abby Wambach.

Atualmente o Japão é treinado por Asaki Takakura, uma mulher que trabalha no comando da seleção japonesa desde 2016. E antes de ser treinadora, era jogadora da seleção japonesa, e foi meio-campista nas Olimpíadas de 1996.

%d blogueiros gostam disto: