Por Layla Seabra

A busca pelos holofotes caracteriza bem o título de celebridade, mas não é sempre que isso é algo positivo. Muitas não sabem lidar com a fama, em parte devido aos seus próprios defeitos, que se elevam de mãos dadas ao ego; em segunda mão, devido à própria mídia e as armadilhas que a audiência sujeita as tais celebridades.

Pensando assim, pode-se dizer que falhamos enquanto sociedade por não sabermos os limites e poder de nossas palavras, assim como não aproveitamos parte considerável do nosso tempo (normalmente perdido em horas de ócio na internet) para criar discernimento e consciência do que pode ser feito de bom com a ferramenta que ainda não sabemos utilizar corretamente: nossa atenção.

Para o que você doa sua atenção?

Há dias sinto que estamos presos em um eterno loop do caso do Neymar, o qual intoxicou as redes sociais, que já não é um ambiente tão amigável, fazendo pairar no ar uma estranha sensação de precisar formar uma opinião sobre, mesmo que o caso não esteja encerrado; mesmo que a investigação ainda esteja em andamento; mesmo que haja uma gama de sensacionalistas se aproveitando do momento para fazer sabe-se lá o que e com qual intenção. Vivemos em um mundo em que somos obrigados a falar muito, mas será que estamos estimulando nosso pensamento para falar com um mínimo de propriedade? Ou, pelo menos, falar sobre o que vale a pena?

Sobre esse quadro em questão, ainda não formamos opinião e, portanto, não é o foco da nossa atenção. Conhecemos esse terreno, aprendemos a pisar nele. Enquanto muita gente gasta mídia no incerto, tem muita coisa acontecendo do lado de cá dos holofotes: mulheres conquistando o impossível. Mais uma vez.

É ano de Copa e o país do futebol não tirou as vuvuzelas do armário, as principais plataformas de repente se desinteressaram por futebol e uma contratação milionária na Espanha parece ser mais interessante do que o maior campeonato de futebol do mundo. A mídia não é independente, nunca foi. Ela depende do telespectador, aquele que doa atenção, produz audiência e, pela demanda, é capaz de movimentar um mercado com a mercadoria que quiser. Esse fato é perigoso e é exatamente por isso que devemos trabalhar mais nosso pensamento crítico e se o que compramos da mídia é o que realmente faz sentido.

Em 2018, a Copa do Mundo Masculina, na Rússia, bateu o incrível recorde de audiência de 3,5 bilhões de espectadores pelo mundo. Nesse ano de 2019, o mesmo campeonato, mas com a modalidade feminina como protagonista, está lutando para alcançar a estimativa de 1 bilhão de espectadores, segundo a FIFA.

Bom, que homens e mulheres não partiram do mesmo lugar, não é novidade, mas você não acha um absurdo um jogador (que está mais para celebridade do que atleta, no mau sentido, convenhamos) conseguir mobilizar uma assustadora quantidade de pessoas com maior facilidade a partir de uma polêmica, do que mulheres que lutam há 8 (32 anos) edições do maior campeonato do planeta?

Você tem parado para pensar nos porquês de doar sua atenção para algo? E nas consequências dela? De um lado temos uma gigante bola de neve de especulações e muitos comentários baseados no vazio do sensacionalismo, do outro temos história acontecendo. Das boas.

De um lado temos uma negociação de aproximadamente 146 milhões de euros em destaque, enquanto a seleção campeã do mundo ganha um prêmio cerca de 40 vezes menor do que transferência de um único jogador entre times europeus.

Mas, e aí, você tem doado sua atenção para o que vale a pena?

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